Paraná

PREOCUPADOS

Indústria e criadores de gado querem evitar decisão isolada da Seab que pode prejudicar o Paraná

26/04/2019 11H10

Reunião realizada nesta quinta-feira em Umuarama

Os frigoríficos de abate bovino e os criadores de gado do Paraná estão preocupados com a possibilidade de, o Governo Estadual confirmar a declaração de área livre da febre aftosa sem vacinação, antes de outros estados. A medida estaria prevista para ser confirmada já em setembro. E a vacinação de maio agora seria a última no Estado. Em entrevista ontem na sede da Sociedade Rural de Umuarama (SRU), o diretor do Frigo Astra e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Geremias Silva Junior, de Cruzeiro do Oeste, disse que se o Paraná se adiantar, o setor vai sofrer muitos prejuízos e isso vai refletir negativamente na economia do Paraná.

Junior explica que a partir momento em que o Paraná declarar área livre da aftosa sem vacinação, bovinos de outros estados não poderão mais entrar no Estado para cria, recria, engorda, abate, feiras exposições, estudos genéticos e outras atividades. E os frigoríficos estaduais importam cerca de 30% dos animais que abatem para distribuição ao mercado interno e exportações.

O problema surgiu porque o Paraná estaria se adiantando em retirar a vacina para ganhar logo o status de livre da aftosa sem a vacina, o que aumenta a sanidade e poderá garantir ganhos na hora dos abatedouros de aves e suínos venderem seus produtos no exterior. Há até uma suspeita de que as lideranças dos setores de aves e suínos estariam pressionando há mais tempo o Estado a tomar a decisão. Demais estados como Rondônia, Mato Grosso, Amazonas, Acre e outros de onde sai gado para o Paraná, já estariam prontos para suspender a vacinação da aftosa no próximo ano.

E as sociedades rurais do Paraná, juntamente com a indústria de abates e outros setores envolvidos, querem que a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento adote a medida na mesma data dos demais estados para evitar os prejuízos.

Caso seja confirmada a antecipação, somente o Frigo Astra seria obrigado a demitir inicialmente cerca de 300 dos seis 1.100 funcionários. Além da queda nas exportações e fornecimento de matéria-prima para indústrias que trabalham com os derivados do bovino. Ainda segundo Junior, o Paraná recebe todos os anos de outros estados de 60 a 90 mil bovinos para o abate, no mesmo ano.

A prefeita de Cruzeiro do Oeste, Helena Bertoco, também esteve na coletiva de ontem e disse que a situação preocupa a Prefeitura porque o Astra é a maior indústria do município e uma redução nos abates vai gerar desemprego e perda de renda. Ela afirmou que vai engrossar a luta para manter a situação como está.

O prefeito de Umuarama, Celso Pozzobom, diz que o problema se agravaria porque o Paraná não é auto suficente na produção de gado para o abate. O Estado tem um rebanho do cerca de 10 milhões de cabeças, mas somente 50% vai para a indústria de corte.

O presidente da SRU, Milton Gaiari, defende a união das lideranças do setor para mostrar ao governador Ratinho JR os riscos da saída antecipada. “Temos a convicção de que ele vai entender e atender as reivindicações do setor”, disse. Todos foram unânimes em afirmar que são favoráveis e querem o fim da vacinação contra a aftosa, mas no mesmo momento em que os demais estados dos blocos vizinhos adotarem a medida que está prevista para o próximo ano.

A importância da medida junto com os demais estados foi dada também pelo diretor do Curtume Panorama, de Umuarama, Landir Marucci, que recebe 80% de sua matéria-prima do Astra, e pelo diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Cianorte e Região, Cirso da Silva.

Estiveram presentes ainda o vereador Percival Preti, as vereadoras Imaculada Conceição, Rosy Anne A. Rodrigues, entre outras autoridades.