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Meio Ambiente

Estiagem eleva em 1.000% número de incêndios ambientais em Umuarama

21/10/2019 09H27

A longa estiagem que assola o país desde junho está deixando suas marcas não apenas na amazônia, mas em nossa região também. O número de queimadas ambientais atendidas pela unidade do 6º SubGrupamento do Corpo de Bombeiros (Umuarama, Cruzeiro do Oeste e Altônia) aumentou em 1.000%, somente nos últimos dois meses, no comparativo com o mesmo período de 2018.

INCÊNDIOS

Entre agosto e setembro, a Unidade combateu 189 incêndios ambientais, contra 19 no ano passado. A elevação ocorreu pela junção de dois fatores: primeiro a falta de responsabilidade de pessoas que provocam as queimadas como forma de ‘limpar’ o terreno, seja para a retirada de lixo ou mato.

De acordo com o 2º tenente do CB Marçal Gabriel da Costa, quase todas as ocorrências desta natureza atendidas pela Unidade foram provocadas pelo homem. “As pessoas costumam passar veneno nos terrenos e depois atear fogo, ao invés da roçada, e acabam perdendo o controle”, explicou.

GRANDES PROPORÇÕES

Desde junho os Bombeiros enfrentaram três incêndios de grandes proporções. No Parque Nacional de Ilha Grande, que ardeu em chamas por quase 10 dias e contou com efetivos de outras unidades, voluntários, agentes do Instituto Chico Mendes e até helicóptero para o controle, deixando um prejuízo incalculável para a flora e fauna do Parque.
Os outros dois foram próximos a área urbana de Umuarama, nas estradas São Paulo e Primavera, quando foram necessários dias para o controle, além de reforços de outras unidades. Na Estrada São Paulo os militares demoraram mais de uma semana para extinguir as chamas.

FOGOS DE ARTIFÍCIO

Já na Estrada Primavera, uma área com cerca de dois alqueires, inclusive reserva nativa virou cinzas. O fogo ocorreu no último dia 12, quando no intervalo de apenas 30 minutos os bombeiros atenderam 10 ocorrências, sendo oito de incêndios ambientais. A queima de fogos de artifício teria gerado a onda de incêndios.

PRIORIDADE

Nestes casos, pela limitação de efetivo e material, o atendimento foi priorizado de acordo com a gravidade. “A central faz uma triagem para identificarmos o que pode gerar mais prejuízo para irmos atendendo primeiro”, explicou Marçal. Ele salientou ainda que nestes casos, além da equipe do caminhão-tanque, bombeiros da ambulância, do administrativo e até quem está de folga vai para o combate do fogo.

TEMPO SECO

O segundo fator é a queda na quantidade de chuvas, que gerou a redução da umidade do ar e deixou as matas mais secas, condições perfeitas para o descontrole de focos de incêndios. Para se ter uma ideia, entre junho e outubro deste ano choveu no Paraná 29,7% do esperado para o período, considerando a média histórica de precipitação, segundo dados do Sistema de Meteorológico do Paraná (Simepar). Foram apenas 164,6 milímetros contra 554,2 milímetros de chuva de média para o período.

ESTIAGEM

O pior momento ocorreu em agosto com o registro de apenas 4,8 milímetros de chuvas em todo o Paraná. De acordo com o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, a previsão que os baixos volumes de precipitação continuem até novembro, quando as chuvas devem voltar a serem mais constantes.

CRIME AMBIENTAL

Colocar fogo em matas é crime ambiental e pela Lei nº 9.605/1998, além da previsão de cadeia de 6 meses a 4 anos, dependendo da gravidade do dano e intenção do agente, ainda há multa com valores entre R$ 50 e R$ 50 milhões.