Colunistas

23/10/2018

Ilustradas

22/10/2018 22H36

Facebook remove rede de contas e páginas de apoio a Bolsonaro

O Facebook removeu nesta segunda-feira 68 páginas e 43 contas da rede social que replicavam  postagens favoráveis ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) que recebiam milhões de interações. De acordo com a empresa, os responsáveis por essas páginas usavam contas falsas ou múltiplas contas com os mesmos nomes, violando políticas de autenticidade e de spam.

Segundo nota do Facebook, essas páginas, controladas por um grupo chamado Raposo Fernandes Associados (RFA), publicavam uma grande quantidade de artigos caça-cliques, com o objetivo de direcionar as pessoas para seus sites fora do Facebook. Esses sites, por sua vez, têm grande número de anúncios e pouco conteúdo, sendo chamadas de “fazendas de anúncios” (“ad farms”, em inglês).

De acordo com a empresa, a decisão de remover as páginas e contas deveu-se ao comportamento delas, e não ao conteúdo.
Reportagem publicada pelo jornal O Estado de São Paulo mostrou que ao longo de 30 dias os endereços nessa rede de páginas alcançaram 12,6 milhões de interações no Facebook  -ou seja, o total de reações a postagens, comentários e compartilhamentos. Mais de 16 milhões de usuários seguem essas páginas. Nos mesmos 30 dias, segundo a reportagem, o jogador Neymar teve 1,1 milhão de interações, a cantora Anitta conseguiu 574,8 mil e Madonna, 442,5 mil.
Entre algumas das páginas mais populares dessa rede pró-Bolsonaro estavam “Correio do Poder”, “Movimento Contra Corrupção”, “Folha Política” e “TV Revolta”.
“Embora a atividade de spam esteja comumente associada à oferta fraudulenta de produtos ou serviços, temos visto spammers usando cada vez mais conteúdo sensacionalista político -em todos os espectros ideológicos- para construir uma audiência e direcionar tráfego para seus sites fora do Facebook, ganhando dinheiro cada vez que uma pessoa visita esses sites. E isso é exatamente o que as páginas e as contas que removemos hoje estavam fazendo”, diz a nota do Facebook.

A Raposo Fernandes Associados faz parte de grupo administrado pela empresa Novo Brasil Empreendimentos Digitais, de propriedade do advogado Ernani Fernandes Barbosa Neto e de Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves. A reportagem tentou contato com a empresa, mas não teve retorno até o momento.

Atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia, diz Toffoli

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, reagiu nesta segunda-feira (22) às declarações do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável Jair Bolsonaro, sobre fechar a corte. “O Supremo Tribunal Federal é uma instituição centenária e essencial ao Estado Democrático de Direito. Não há democracia sem um Poder Judiciário independente e autônomo”, diz o ministro em nota enviada por sua assessoria de imprensa. “O país conta com instituições sólidas e todas as autoridades devem respeitar a Constituição. Atacar o Poder Judiciário é atacar à democracia”, acrescenta o magistrado. Além de Toffoli, os ministros Celso de Mello e Alexandre de Moraes se manifestaram sobre o assunto. Magistrado mais antigo da corte, ele classificou a afirmação do, de que bastam um soldado e um cabo para fechar a Corte, de “inconsequente e golpista”. Disse ainda que o fato de Eduardo Bolsonaro ter tido uma votação expressiva nas eleições -ele recebeu quase 2 milhões de votos- não legitima “investidas contra a ordem político-jurídica”. Já Alexandre de Moraes afirmou nesta segunda que nada justifica a defesa do fechamento da Suprema Corte. Em seminário, na capital paulista, ele afirmou que é uma contradição o país viver o maior período de estabilidade democrática desde a Constituição de 1988 e um parlamentar fazer uma declaração de “maneira irresponsável”. “As declarações demonstram a atualidade da famosa frase de Thomas Jefferson: ‘O preço da liberdade é a eterna vigilância’. Nada justifica a defesa do fechamento do STF”, disse. O ministro disse ainda que nem o desconhecimento dos pilares da democracia nem a “total ignorância” do princípio da separação dos poderes justificam “o absurdo atentado verbal à autonomia e independência do Poder Judiciário”. Ele disse ainda que cabe à Procuradoria-Geral da República analisar se o contexto da manifestação, feita fora do exercício das funções do parlamentar, pode configurar delito de incitação de animosidade, previsto na Lei de Segurança Nacional.