ARTIGO

Estamos em plena campanha política. A disputa eleitoral é um presente que só o regime democrático nos dá. Ela não é uma guerra e nela hão que estar as idéias, programas e propostas legislativas e administrativas para atender os anseios da pólis e dos seus cidadãos. Candidatos a tal missão, claro, precisam ter mãos limpas, passado e presente que os dignifiquem. As pessoas só querem viver em paz, ter trabalho, estudo e renda para a família, liberdade com responsabilidade, inscrita em leis que lhe garantam respeito e dignidade. Nisso está a síntese do propósito da Democracia. Torço que o eleitor encontre os candidatos ideais para esse desiderato que atenderá as suas aspirações.
A vida, com fome ou não, mas sempre sofrida, me deu uma mundividência que me guia nesta existência terrena. Ela tem horror ao arbítrio que conheci de perto na ditadura que torturou quem dela discordasse e lutava pela liberdade que não habita no extremismo, seja ele de direita ou esquerda. Faço minhas as palavras de Montesquieu, defendendo a República sob o regime de leis e contestando os déspotas que fazem a própria lei: “Os homens são todos iguais no governo republicano e iguais no governo despótico: no primeiro, porque são tudo e no segundo porque são nada!” (in “O espírito das Leis” – livro 6 e 11).
Tenho meus ídolos e paradigmas históricos na arte de governar. Fico nos que já partiram para a eternidade e quero homenageá-los pelas lições que deram e que deveriam inspirar quem se apresenta para governar ou legislar. São pessoas que enobreceram a humanidade. Lembro Nelson Mandela, um sacerdote em tolerância, igualdade racial e paz. Martin Luther King e sua luta pelos direitos civis dos irmãos negros. Winston Churchill que peitou Hitler e o nazi-fascismo. Abraham Lincoln que acabou com a escravidão nos EUA. Franklin Delano Roosevelt, presidente americano em cadeira de rodas, eleito e reeleito por méritos na grande depressão. Fez o “New Deal”, inspirado em Keynes com o Estado suficiente, intervindo na economia para socorrer os setores necessitados. Finalmente, defendeu o mundo civilizado, entrando na segunda guerra contra a barbárie nazista. Lembro Jimmy Carter, lutando por direitos humanos. Daqui, também vejo bons paradigmas. Cito dois: Ulisses Guimarães e Leonel Brizola, ambos de papel marcante na resistência democrática. Há outros sim, e muitos. Mas nenhum deles é nazi-fascista.
Os que citei e os que não lembrei, mas que deixaram este mundo melhor, mais fraterno e civilizado, merecem ser considerados Ídolos e Paradigmas.
(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).