Em Umuarama

Foi condenado a 38 anos, 4 meses e 25 dias de prisão o réu Eberson Merci de Assis, acusado de assassinar a ex-companheira, a professora Viviane Alécio Brun, de 43 anos, e de atirar contra a ex-enteada, Taise Brun, atualmente com 23 anos. A sentença foi proferida pelo juiz Adriano César Moreira por volta das 19h30 desta sexta-feira (9), após um dia inteiro de julgamento no Tribunal do Júri de Umuarama.
O réu foi condenado por homicídio triplamente qualificado – por motivo fútil, feminicídio e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima – além de lesão corporal no âmbito da violência doméstica e posse ilegal de arma de fogo, além de multas. A sessão teve início às 8h30. A acusação foi conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e a defesa ficou a cargo da Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), representada pelo defensor Cauê Bouzon Machado Freire Ribeiro.
Durante o júri, o momento mais marcante foi o depoimento da sobrevivente Taise Brun. Bastante emocionada, ela relatou os traumas causados pelo crime e o impacto duradouro em sua saúde emocional, revelando que precisou de acompanhamento psicológico desde o atentado.
O julgamento transcorreu com tranquilidade, e os debates entre acusação e defesa foram respeitosos. O júri foi encerrado por volta das 15h30, e a sentença foi proferida cerca de quatro horas depois.
O crime
O feminicídio ocorreu no dia 27 de setembro de 2023, na rua São Mateus, na Zona V de Umuarama. Eberson invadiu a casa da ex-esposa, que estava com a filha e o filho autista de apenas seis anos, e efetuou disparos contra Viviane, atingindo-a na cabeça. A filha da professora tentou intervir e também foi baleada, sofrendo um ferimento grave na região da boca. A criança presenciou toda a cena e ficou em estado de choque.
Segundo relatos da Polícia Militar, após cometer o crime, o autor enviou um áudio ao pai biológico dos filhos da vítima, no qual confessa o assassinato e afirma que pretendia tirar a própria vida. No áudio, ele afirma: “Você e o […] acabaram com meu relacionamento com a Viviane. Eu acabei de dar um tiro na cabeça dela e baleei a sua filha. Eu vou me matar, de boa, porque eu a amo demais”.
A tragédia causou grande comoção. Amigos, colegas e alunos prestaram homenagens à professora nas redes sociais. “Em uma sala de aula você não era uma simples professora e sim uma mãe, amiga e até mesmo pastora. Os seus conselhos estão gravados em meu coração”, escreveu um ex-aluno. O Núcleo Regional de Educação de Umuarama também lamentou publicamente a morte da servidora.
Viviane lecionava artes no Colégio Estadual Padre Manuel da Nóbrega e no Colégio Estadual Doutora Zilda Arns. Conforme informações prestadas pela filha da vítima à polícia, a professora e o acusado estavam separados e enfrentavam problemas com a segurança da casa – a porta da residência era mantida fechada com a ajuda de um sofá, o que facilitou a invasão.
Investigação e denúncia
A investigação do caso foi conduzida pela delegada Fernanda Bertoco, da Delegacia da Mulher de Umuarama. O Ministério Público denunciou Eberson pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (feminicídio, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa), tentativa de homicídio qualificado (também feminicídio) e posse irregular de arma de fogo.