Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

Hipocrisia e Ganância

Dr. Eliseu Auth 09/06/2026 00H02

Jornal Ilustrado - Hipocrisia e Ganância

Se o dia 5 de junho é o dia mundial do meio ambiente, pouco ou nada se falou dele. É uma pena porque mostra uma certa indiferença pelos cuidados com a nossa casa que é o judiado planeta Terra. Os assuntos que atraem, são guerras, com Trump bombardeando o Irã e Putin atacando a Ucrânia, além da confusão dos tarifaços trumpistas que corroem o multilateralismo neste mundo de meu Deus, onde garante justiça e paz na convivência entre povos e nações.

Vou ao meio ambiente e comemoro a diminuição do desmatamento nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Foi bom, mas ainda é pouco. Se a destruição das nossas matas só diminuiu, ela persiste e não acabou como deveria. Isso escancara que a alienação ambiental e a ganância continuam destruindo quem nos protege.

Neste exato dia, Bagé, município do meu Rio Grande amado, faz racionamento de água porque não chove lá. É sintoma e advertência que lembra as árvores que garantem as chuvas que irrigam o país e o planeta.

Escrevi hipocrisia e ganância no título para lamentar mais um desserviço do nosso Congresso Nacional. Pasme o ilustrado leitor que, há poucos dias, essa gente que deveria cuidar da República, fez o contrário: aprovou o PL 2564/2024, limitando a fiscalização ambiental com base em imagens de satélite. Ali, querem proibir embargos e autuações cautelares imediatas contra os malfeitores ambientais. Ainda exigem notificação prévia, o que prejudica o combate rápido ao desmatamento. Essa decisão do congresso não passa de manobra explícita que favorece a grilagem, o garimpo ilegal e a destruição do bioma da Amazônia. Deputados e senadores do Congresso deveriam saber que blindar o infrator e dificultar a fiscalização, é um prêmio à ganância de quem quer devorar nossas matas. Afinal, quem for flagrado e autuado pelo satélite, sempre terá o direito constitucional de recorrer à Justiça, provando que agiu dentro da lei. É ver e conferir o art. 5º, inciso XXXIV da Lei Maior.

Aprendi o respeito à natureza com meu pai. Em nossa pequena colônia, lá na Linha Salto, no Rio Grande do Sul, terrinha onde nasci, papai manteve intocada e protegida, mais mata virgem que exigia a lei. Cresci, bebendo água de uma mina que brotava da terra e era cercada por mato. Em dia quente, essa água abençoada era a nossa geladeira que resfriava o leite que mamãe tirava. Saudades desse tempo em que a mãe natureza era soberana. Não tinha hipocrisia e ganância.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).