Saúde
Na última sexta-feira (20) o jornal Umuarama Ilustrado chamou atenção para a lotação dos leitos nos quatro hospitais locais, os quais atendem pacientes de Umuarama e dos 20 municípios da região. Conforme alguns médicos, entrevistados pela reportagem, com a retomada das atividades sociais em grupo e a redução das medidas de prevenção, os vírus voltaram a atuar no organismo humano, principalmente nas crianças.
Além das demais demandas hospitalares, o setor da saúde continua batalhando com os vírus. Conforme a Secretaria de Saúde de Umuarama, com a chegada do frio foi registrado um aumento de síndromes gripais, principalmente em crianças. A informação foi creditada pelo médico chefe do Pronto Atendimento do Hospital Cemil, José Juarez, o qual também ressaltou o fator da demanda reprimida, após dois anos a população evitando aglomerações e mantendo as medidas de prevenção, como o uso de máscaras.
O médico explicou que com a retomada das aglomerações e o relaxamento dos cuidados, as pessoas começam a ter contato com os vírus novamente e com alto potência de transmissão perante as crianças. “Identificamos uma demande de gripe em especial, porém os casos de dengue estão estourando e a covid-19 vem surgindo outra vez”. Ressaltou o médico.
Os números dispararam e Umuarama enfrenta um surto crescente de dengue. O boletim semanal de acompanhamento da doença, emitido pelo Serviço de Vigilância em Saúde Ambiental, revelou que 167 casos foram confirmados desde o último domingo, 15, elevando o acumulado do ano epidemiológico para 776. Há ainda 118 suspeitas em investigação, que podem tornar ainda mais grave o quadro da doença.
Conforme boletim emitido pela Secretária Estadual da Saúde (SESA), o vírus SARS-CoV-2 representa 46,1% das amostras positivas para vírus respiratórios no âmbito da vigilância sentinela de síndrome gripal em 2022 e 81,1% das amostras positivas para vírus respiratórios nos casos de Sindrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado do Paraná, o que o atribui como a causa mais frequente de SRAG no Paraná no período analisado.
A incidência de SRAG entre pessoas com 80 anos ou mais superou a incidência de SRAG em crianças, tendo em vista que o SARS-CoV-2 foi a principal etiologia identificada. A maioria dos casos que evoluíram para o óbito tinha ao menos um fator de risco relatado.
Outra observação do médico é em relação a automedicação e que leva o paciente a chegar no hospital com o quadro clínico mais agravado, tal situação aumenta o volume de internamentos. “Covid é um vírus, a dengue é vírus, gripe um vírus. São vários tipos de vírus que podem promover sintomas parecidos aos pacientes. Neste sentido, a pessoa passa na farmácia toma um remédio qualquer, mas o processo de evolução do vírus continua. O paciente acaba chegando no hospital já agravado e precisa ser internado”, explicou.
Mesmo com um fluxo de pessoas internadas, o médico informou que na instituição onde trabalha a situação de leitos ainda é confortável, pois o período de pandemia promoveu um novo olhar do setor de saúde para a gestão de leitos.
No Hospital Norospar, que abriga a Maternidade Regional, os 10 leitos de UTI neopediátrica estavam ocupados, bem como os dois leitos pediátricos, segundo o apurado pelo Ilustrado. No Hospital Cemil, as 10 vagas para crianças também estavam totalmente ocupadas. Já das 150 vagas de enfermaria disponíveis nos hospitais Nossa Senhora, Cemil e Norospar, 118 estavam ocupados.
Segundo boletim o disponibilizado pela Sesa através do site https://www.coronavirus.pr.gov.br/Campanha/Pagina/Transparencia-Leitos-e-Internados-por-Unidade-Hospitalar, das 44 camas de UTI SUS distribuídas entre os hospitais Cemil, Nossa Senhora, Norospar e Uopeccan, 41 estavam ocupadas, ou seja, com taxa de ocupação geral de 93%. Entretanto, segundo consta no documento, nos hospitais Cemil e Uopeccan, 100% das vagas estavam com pacientes.
O médico José Juarez alertou para necessidade de optar pelas medidas de prevenção para manter a saúde em dia. Entre as medidas para esse período é evitar aglomerações, lugares fechados sem ventilação, higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel, evitar coçar nariz, boca, caso as mãos não estejam limpas. O uso de máscaras também pode ajudar a evitar a transmissão do vírus.