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Golpe com inteligência artificial quase faz família de Umuarama perder R$ 5 mil

30/06/2026 08H54

Jornal Ilustrado - Golpe com inteligência artificial quase faz família de Umuarama perder R$ 5 mil

Uma família de Umuarama viveu momentos de desespero no último domingo (28), que poderiam ter terminado em um prejuízo financeiro de R$ 5 mil. A vítima foi uma mãe que recebeu uma videochamada aparentemente feita pela própria filha. Na ligação, a jovem dizia ter sofrido um acidente e afirmava precisar de dinheiro com urgência. 

A cena era convincente. Do outro lado da tela estava o rosto da filha, usando o uniforme do hospital onde trabalha como técnica em enfermagem. A voz, a aparência e a narrativa pareciam absolutamente reais. Em estado de choque, o pai já realizava a transferência via Pix quando aconteceu o inesperado: a verdadeira filha entrou em casa. 

Ela havia retornado durante o intervalo do trabalho porque havia esquecido o celular em casa. 

Pelas normas sanitárias e pelos regulamentos técnicos da instituição onde atua, a jovem não utiliza o celular pessoal durante o expediente. O aparelho permanece guardado em um armário e só é acessado nos horários de pausa. Em situações adversas a família pode entrar em contato pelos canais oficiais da instituição, mas ninguém pensou nisso naquele momento. 

“Moro perto, então peguei a moto e fui em casa buscar meu celular. Quando cheguei, minha mãe e meu pai estavam desesperados. Meu pai já estava fazendo um Pix de R$ 5 mil. Quando entrei, os dois quase desmaiaram. Eu não entendi nada. Na mesma hora, o bandido desligou a ligação e bloqueou o número da minha mãe. Foi por muito pouco.” 

A família preferiu não ser identificada, mas decidiu compartilhar a história para alertar outras pessoas. 

A mãe conta que, durante toda a conversa, não teve qualquer dúvida de que estava falando com a própria filha, embora o número de telefone fosse outro. 

“Era por vídeo chamada e ela sabia tudo. Sabia onde trabalhava, conhecia nossos nomes. Era o rosto dela e ela aparecia usando o uniforme do hospital. Não duvidamos em nenhum momento. Foi um pesadelo.” 

O caso ilustra uma modalidade criminosa que tem preocupado especialistas em segurança digital em todo o mundo. Em toda a internet, o uso de deepfakes — vídeos e áudios produzidos com inteligência artificial capazes de reproduzir rostos, vozes e expressões faciais com alto grau de fidelidade — cresce rapidamente e já é considerado uma das principais ferramentas utilizadas por criminosos para aplicar fraudes financeiras. 

Embora a inteligência artificial represente um dos maiores avanços tecnológicos das últimas décadas, seu uso criminoso impõe novos desafios à sociedade. Segundo relatos de especialistas em segurança digital amplamente divulgados, os golpistas exploram justamente os momentos de maior fragilidade emocional das vítimas. Ao criar situações de urgência, como acidentes, emergências médicas ou pedidos desesperados de ajuda, reduzem a capacidade de reação das pessoas e aumentam as chances de que elas realizem uma transferência bancária antes de confirmar a veracidade da informação. 

Outro fator que preocupa é a quantidade de informações pessoais disponíveis na internet. 

Depois do susto, a mãe da jovem diz ter mudado completamente sua forma de enxergar as redes sociais. 

“Falei para minha filha apagar tudo das redes sociais, bloquear, limitar. Ela gosta de postar tudo o que faz. Acredito que os bandidos pegam nossas informações de lá. A pessoa que falou comigo parecia saber tudo sobre nós e a voz era igual. Esses jovens precisam pensar muito bem no que tornam público. Nós quase fomos vítimas.” 

O alerta da mãe encontra respaldo entre especialistas em segurança cibernética. Pesquisas nacionais e internacionais apontam que fotos, vídeos, rotina, vínculos familiares, locais de trabalho e outras informações compartilhadas publicamente nas redes sociais podem ser utilizados pelos criminosos para construir abordagens cada vez mais convincentes. Quanto maior a quantidade de dados disponíveis sobre uma pessoa, maior tende a ser o poder de persuasão dos golpistas. 

COMO SE PROTEGER 

Especialistas também orientam que famílias adotem medidas simples de proteção, como criar uma palavra-chave para situações de emergência, nunca realizar transferências bancárias sob pressão emocional e sempre confirmar pedidos de dinheiro por outro meio de comunicação antes de efetuar qualquer pagamento. 

O episódio ocorrido em Umuarama terminou sem prejuízo financeiro, mas deixa um alerta importante. Em tempos de inteligência artificial, ver uma imagem ou ouvir uma voz conhecida já não é garantia de autenticidade. A tecnologia que hoje transforma a medicina, a educação e a comunicação também vêm sendo utilizada por criminosos para explorar justamente o sentimento mais poderoso de todos: o amor pela família. 

Rosi Rodrigues /Jornalista