Cotidiano

ATUALIZAÇÃO

Gaeco prende líderes de organização ligada ao tráfico e lavagem de dinheiro em Umuarama

02/07/2026 12H08

Jornal Ilustrado - Gaeco prende líderes de organização ligada ao tráfico e lavagem de dinheiro em Umuarama

A segunda fase da Operação Arayú, deflagrada na manhã desta quinta-feira (2) pelo Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelou novos detalhes sobre a estrutura de uma organização criminosa instalada em Umuarama e responsável por coordenar o transporte de grandes carregamentos de drogas provenientes da região de fronteira.

A operação resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em Umuarama, Guaíra e Londrina. Também foram autorizados pela Justiça o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos investigados, além da quebra do sigilo de dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.

Segundo o promotor de Justiça Guilherme Franchi da Silva Santos, responsável pelo Gaeco de Umuarama, a operação representa mais um importante resultado da integração entre o Ministério Público e as forças policiais que atuam no combate ao crime organizado.

“Uma das justificativas para a instalação do Gaeco nesta região do Estado era justamente atuar nos crimes relacionados à fronteira, especialmente na logística utilizada pelo crime organizado para transportar materiais ilícitos”, afirmou.

Jornal Ilustrado - Gaeco prende líderes de organização ligada ao tráfico e lavagem de dinheiro em Umuarama

Prisão dos líderes

De acordo com o promotor, nesta segunda fase foi possível atingir o núcleo de comando da organização.

“Conseguimos executar medidas de busca e apreensão e também prender os líderes dessa organização criminosa. Eles possuem ligação com facções criminosas e atuavam diretamente na logística e no transporte de grandes quantidades de drogas”, explicou.

As diligências realizadas em Guaíra e Londrina também tiveram como alvo pessoas apontadas como integrantes da cadeia logística da organização, responsáveis pela compra e distribuição de grandes carregamentos de entorpecentes.

Jornal Ilustrado - Gaeco prende líderes de organização ligada ao tráfico e lavagem de dinheiro em Umuarama

Investigação começou após apreensão de 160 quilos de maconha

A investigação teve início em julho de 2025, quando uma equipe do Batalhão de Polícia Rodoviária apreendeu 160,8 quilos de maconha transportados em um Fiat Mobi com placas clonadas na PR-317, em Lobato.

Na ocasião, dois adolescentes foram apreendidos em flagrante.

O promotor explicou que a análise dos celulares apreendidos naquela ocorrência foi fundamental para identificar praticamente toda a estrutura criminosa.

“Depois da apreensão, os celulares foram periciados e conseguimos identificar boa parte da organização criminosa. Essa investigação nasceu justamente de uma ocorrência da Polícia Rodoviária.”

Organização usava adolescentes no transporte

Um dos aspectos que mais chamou a atenção durante as investigações foi a utilização de adolescentes no transporte da droga.

Segundo Guilherme Franchi, o líder da organização atuava como “batedor”, acompanhando o deslocamento da carga e orientando, em tempo real, os menores responsáveis por conduzir o veículo carregado com os entorpecentes.

“As mensagens encontradas nos celulares mostravam que o líder encaminhava aos adolescentes todo o trajeto que deveria ser percorrido. Enquanto ele seguia à frente monitorando o caminho, os menores faziam o transporte da droga.”

Na abordagem policial, apenas os adolescentes foram apreendidos. O homem apontado como responsável por escoltar o carregamento conseguiu fugir.

Até o momento, as investigações identificaram apenas esses dois adolescentes ligados diretamente ao esquema. No entanto, o Gaeco afirma que novos envolvidos poderão ser descobertos com a análise do material apreendido nesta quinta-feira.

Jornal Ilustrado - Gaeco prende líderes de organização ligada ao tráfico e lavagem de dinheiro em Umuarama

Esquema começava na fronteira

As investigações também permitiram mapear a logística utilizada pela organização criminosa.

Conforme o promotor, as lideranças estavam estabelecidas em Umuarama, enquanto o abastecimento ocorria na região de fronteira.

O transporte das cargas começava em municípios como Guaíra e Altônia, onde a droga chegava por meio fluvial. Depois, os carregamentos eram encaminhados para Umuarama e distribuídos para diversas regiões do Paraná e até para outros estados brasileiros.

Segundo o Gaeco, a estrutura demonstra um elevado grau de organização, envolvendo logística complexa e movimentação de grandes volumes de drogas e dinheiro.

Novas fases não estão descartadas

Durante o cumprimento dos mandados desta quinta-feira foram apreendidos aparelhos celulares, documentos, anotações relacionadas à atividade criminosa, porções de maconha e uma motocicleta com sinais identificadores adulterados.

Todo esse material passará por perícia e poderá ampliar as investigações.

“As investigações prosseguem. Novos celulares e documentos foram apreendidos e certamente novas fases da operação serão realizadas. Outras prisões poderão acontecer”, afirmou o promotor.

Grupo pode ter participação em outros crimes

Embora a investigação tenha como foco o tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais, o Ministério Público não descarta que os investigados tenham envolvimento em outras modalidades criminosas.

Segundo Guilherme Franchi, organizações criminosas costumam migrar rapidamente para qualquer atividade ilícita que represente lucro.

“Hoje os elementos apresentados ao Poder Judiciário dizem respeito à logística do tráfico de drogas. Mas não se pode descartar a participação desse grupo em outros crimes.”

Jornal Ilustrado - Gaeco prende líderes de organização ligada ao tráfico e lavagem de dinheiro em Umuarama

Bloqueio de patrimônio ainda será contabilizado

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros dos investigados.

Entretanto, o Ministério Público informou que ainda não há um levantamento sobre o montante efetivamente indisponibilizado, já que as medidas patrimoniais ainda estão sendo executadas e os resultados deverão ser conhecidos nos próximos dias.

Para o Gaeco, a Operação Arayú representa mais um avanço no enfrentamento às organizações criminosas que utilizam a região noroeste do Paraná como corredor para o tráfico de drogas, reforçando a estratégia de atacar não apenas os transportadores, mas principalmente a estrutura financeira e logística que sustenta essas organizações.