OPERAÇÃO CLIENTELA

Operação Clientela afastou dois policiais penais de funções de chefia; investigação apura suspeitas de regalias a presos, incluindo ar-condicionado, e irregularidades no registro de apreensões
Drogas foram encontradas no armário de um servidor e mais de 30 celulares foram localizados sem a devida documentação na Cadeia Pública de Umuarama durante a Operação Clientela, deflagrada na manhã desta quarta-feira (30). A ação foi realizada pelo Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), em conjunto com a Corregedoria da Polícia Penal do Paraná.
Dois policiais penais que exercem funções de chefia na região — um na coordenação regional da Polícia Penal e outro na gestão da cadeia pública — foram afastados por determinação judicial. A investigação apura possíveis irregularidades na concessão de benefícios a presos e na formalização de apreensões de celulares e drogas.
Durante entrevista coletiva, o promotor Caio, que participou das buscas na cadeia pública, informou que a contagem dos aparelhos ainda estava em andamento. Segundo ele, haviam sido encontrados aproximadamente 33 ou 34 celulares sem a documentação correspondente.
“Na cadeia pública, foram localizadas drogas no armário de um dos servidores e aproximadamente 33 celulares, 34 celulares, estamos contabilizando ainda, sem a devida documentação”, afirmou.

Conforme a nota divulgada pelo MPPR, a quantidade de drogas encontrada era pequena e sua origem ainda estava sendo apurada. Os materiais recolhidos serão submetidos a perícia e análise para esclarecer as circunstâncias dos fatos e verificar a eventual responsabilidade dos investigados.
Buscas em residências e unidades da Polícia Penal
A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, dois de busca pessoal e dois de afastamento das funções públicas. As ordens foram expedidas pelo Juízo das Garantias da 1ª Vara Criminal da comarca de Umuarama.
As diligências abrangeram residências e instalações da Polícia Penal, incluindo a cadeia pública e a coordenação regional, no Complexo Social. No momento da coletiva, os trabalhos ainda estavam em andamento.
Segundo o promotor Caio, um aparelho celular também foi encontrado durante as buscas no Complexo Social. Ele afirmou que o material poderá contribuir para o aprofundamento das apurações.
Além dos celulares e das drogas, foram apreendidos outros aparelhos eletrônicos, documentos e anotações. Também foram recolhidos os fardamentos, os armamentos oficiais e os demais equipamentos operacionais disponibilizados pela Polícia Penal aos dois investigados.

Investigação aponta suspeitas de regalias a presos
O promotor Guilherme, do Gaeco de Umuarama, explicou que a investigação envolve suspeitas de concessão de regalias a pessoas presas. Entre as situações mencionadas estão a disponibilização de ar-condicionado e o uso de celulares e telefones.
Segundo ele, as apurações abrangem benefícios que teriam sido concedidos a presos que trabalhavam na unidade e em atividades externas, inclusive no pátio da prefeitura.
Outra linha de investigação trata da ausência de formalização de apreensões de celulares ou de registros deficientes relacionados à localização de drogas. Conforme o promotor, essas situações poderiam impedir a identificação do preso que utilizava o aparelho ou estava na posse do material.
A análise dos objetos e documentos apreendidos deverá esclarecer se houve irregularidades e se as condutas podem ser atribuídas aos servidores investigados.
Não há prova de pagamento de propina nesta etapa
Questionado sobre a possibilidade de os policiais penais receberem vantagens financeiras para conceder benefícios aos presos, o promotor Guilherme afirmou que, nesta fase, não havia prova ou elemento de prova de recebimento de valores.
Segundo ele, uma das finalidades das buscas é aprofundar a investigação e verificar se houve eventual pagamento de propina relacionado às regalias sob apuração.
O MPPR informou que são investigadas possíveis práticas de prevaricação, favorecimento indevido de presos, ingresso ou facilitação do ingresso de celulares em ambiente prisional, falsidade ideológica, fraude processual e corrupção passiva.
A eventual atribuição de responsabilidade criminal dependerá da conclusão das apurações e da análise dos materiais recolhidos.
Corregedoria acompanha apuração administrativa
O corregedor-geral da Polícia Penal, David Duarte, afirmou que a instituição acompanha as diligências em conjunto com o Gaeco. Enquanto o Ministério Público conduz a investigação criminal, a Corregedoria atua na esfera administrativa.
Segundo Duarte, a eventual responsabilização dos servidores será examinada por uma comissão, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.
O corregedor também afirmou que a Polícia Penal trabalha de forma integrada com as demais forças de segurança e órgãos de fiscalização para apurar possíveis irregularidades.
As investigações terão continuidade com a perícia dos aparelhos eletrônicos e a análise das drogas, dos documentos e das anotações apreendidos durante a operação.





