Cotidiano

DESAPARECIDOS

Famílias oferecem R$ 50 mil de recompensa por informações sobre desaparecidos em Icaraíma

29/08/2025 12H30

Jornal Ilustrado - Famílias oferecem R$ 50 mil de recompensa por informações sobre desaparecidos em Icaraíma

Nesta sexta-feira (29), completam 25 dias do desaparecimento de quatro homens em Icaraíma, a 58 quilômetros de Umuarama. Diante da falta de respostas, familiares anunciaram uma recompensa de R$ 50 mil para quem fornecer informações que levem ao paradeiro de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza.

A iniciativa foi divulgada na última quinta-feira (28) pelas esposas das vítimas. O cartaz circula nas redes sociais com fotos de três dos desaparecidos e garante o sigilo da identidade de quem colaborar.

Meiriane Marascalchi, esposa de Rafael, relatou ao Ilustrado que as famílias não podem mais esperar sem agir. “São nossos esposos, pais dos nossos filhos. Dormimos à base de remédios e nossas crianças estão sem rotina desde o desaparecimento. Faremos o que for preciso para encontrá-los”, disse.

Segundo ela, as famílias contrataram um investigador particular e um escritório de advocacia para acompanhar o caso. Após a divulgação da recompensa, quatro possíveis locais foram indicados, mas Meiriane preferiu não detalhar os próximos passos.

Fabricia Pellini, esposa de Diego Henrique, também conversou com a reportagem do Ilustrado. Ela contou que chegou a falar com o marido no dia da última cobrança. “Ele disse que o homem que os recebeu estava armado e que marcaram de retornar na propriedade no dia seguinte. Pedi para tomar cuidado. Depois disso, nunca mais tivemos contato.” Casados há 14 anos e moradores de Olímpia (SP), o casal tinha uma vida voltada ao comércio de veículos e corretagem. Fabricia reforçou que Diego fazia poucas cobranças e que sempre havia diálogo, sem intimidação. “Se essas pessoas fizeram algo, que diga onde eles estão. Não foram lá para fazer maldade. Queremos respostas, sejam boas ou ruins”, apelou.

Caso tratado como homicídio

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) trata o desaparecimento como homicídio, embora outras linhas não estejam descartadas. Em coletiva no último dia 11, os delegados Gabriel Menezes e Thiago Andrade Inácio explicaram que a ausência prolongada de contato e o contexto da dívida reforçam essa hipótese.

A investigação aponta que a dívida cobrada era de R$ 255 mil, referente à compra de uma propriedade rural. O vendedor foi Alencar, uma das vítimas, mas o comprador não pagou dez notas promissórias de R$ 25,5 mil cada. Conforme a Polícia Civil, a suspeita do desaparecimento recai sobre Antônio Buscariollo, 66 anos, e do filho Paulo Ricardo, 22, parentes do devedor.

A polícia informou que pai e filho foram encontrados na propriedade no início das buscas, prestaram depoimento, mas negaram participação. Após serem liberados, deixaram o local junto de outros familiares, que também são investigados. Hoje, Antônio e Paulo são considerados foragidos, com mandados de prisão temporária em aberto.

Avanço das investigações

O delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Gabriel Menezes, destacou que o caso tem sido alvo de fake news, o que atrapalha o trabalho da polícia. “Há informações falsas que podem ter sido criadas de propósito para confundir e descredibilizar a investigação”, afirmou. 

Apesar disso, Menezes garantiu que o trabalho avança: “Elementos de suma importância foram coletados nas últimas semanas e podem contribuir sobremaneira para o desfecho positivo do caso”. Sobre a recompensa anunciada pela família, o delegado preferiu não comentar. “Não vamos emitir manifestação sobre esse tema. Trata-se de iniciativa exclusiva da família”, disse.