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FEMINICÍDIO EM UMUARAMA

“Eu imaginava que ela iria morrer velhinha e não pelas mãos de outra pessoa”

28/12/2018 11H47

FEMINICÍDIO “Eu imaginava que ela iria morrer  velhinha e não pelas mãos de outra pessoa”
A doméstica Célia Ribeiro Matos da Silva morava sozinha e é descrita como uma pessoa alegra e de bem com a vida por amigos e parentes (foto redes sociais)

Umuarama – “Eu imaginava que ela iria morrer velhinha e não pelas mãos de outra pessoa”. A frase foi dita por um dos sobrinhos da doméstica Célia Ribeiro Matos da Silva, 51 anos, na porta do Instituto Médico Legal (IML) de Umuarama, na manhã de hoje (28), enquanto familiares liberavam o corpo da mulher.

Uma cunhada de Célia, ainda em choque, disse que uma morte assim nunca havia ocorrido na família.

Célia foi morta a facadas por um ex-namorado na noite de quinta-feira (27) na porta de sua casa, na rua do poeta Guilherme de Almeida, no conjunto Sonho Meu II, em Umuarama. O suspeito, um homem de 41 anos, está foragido.

SORRISO

“Minha mãe era uma pessoa despachada e alegre. Não tinha tempo ruim e gostava de tudo limpo e de festa. Era muito festeira, gostava de bailes. Não tinha inimizade com ninguém. Minha melhor lembrança será o sorriso dela”, ressaltou Gislaine Ribeiro da Silva, 32 anos, um dos cinco filhos de Célia. A doméstica deixou ainda oito netos.

Célia morava sozinha há cerca de um mês, depois que casou um dos filhos. Ela foi uma das beneficiadas com um imóvel no conjunto Sonho Meu II e lutou muito para ter a casinha. “Ela quase perdeu. Ainda estava casada com meu pai no papel. Mas no banco entenderam que ela morava sozinha e deu certo”, contou Gislaine.

PERTURBANDO

Segundo Gislaine, a mãe conheceu o suspeito do crime há dois meses. “Ela era muito reservada. A única coisa que me disse é que ele estava perturbando muito pelo celular. Ficava ligando a toda a hora. Ela me disse que queria apenas a amizade dele. Nada mais. Mas ele ficava a forçando dizer que o amava pelo telefone”, relatou a filha.

Gislaine contou que esse foi o primeiro Natal que não passou com a mãe. “Sempre passamos juntas. Insisti, mas ela não veio. Passou na casa dos parentes desse homem”, disse. A última festa da doméstica com a família, foi no casamento de Gislaine, em novembro.

O CRIME

Segundo a polícia, Célia Ribeiro foi atender um chamado na porta de casa por volta das 20h30 de quinta-feira (27). Quando abriu, teria levado o primeiro golpe no peito. Correu buscando ajuda na casa de vizinhos. O matador, ainda armado com a faca, teria corrido atrás da vítima. Ele a alcançou no quintal de uma vizinha. Efetuou outros golpes contra Célia, que morreu ali mesmo, antes da chegada do socorro dos bombeiros e do Samu.

O matador saiu andando, com a arma em punho. Populares indicaram para a polícia sua identidade e contaram que o homem usava tornozeleira eletrônica. Enquanto a polícia tentava rastrear o criminoso, ele rompeu o equipamento de monitoramento e fugiu. Até o momento não foi localizado.

O suspeito está sendo acusado de homicídio qualificado pelo feminicídio, é que quando a vítima é morta pela condição de ser mulher. A pena é de 12 a 30 anos de prisão.

SERVIÇO

O corpo de Célia Ribeiro será velado a partir das 13 horas na capela da Umuprev. O enterro está previsto para às 9 horas de sábado (29), no Cemitério Municipal de Umuarama.