IFPR e IFSULDEMINAS

Pesquisadores do Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Umuarama – e do Instituto Federal Sul de Minas (IFSULDEMINAS) – Campus Inconfidentes – realizaram duas pesquisas no Parque Nacional de Ilha Grande. Os estudos levantaram a diversidade de invertebrados existentes no bioma. Devido a importância do assunto e a qualidade da pesquisa, o material foi publicado em revistas científicas internacionais de alto impacto.
O estudo foi conduzido pela doutora, Patrícia Gomes, professora do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Umuarama e pelo doutor, Marcos Magalhães de Souza, professor do Instituto Federal Sul de Minas (IFSULDEMINAS) Campus Inconfidentes, com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Os professores José Adolfo Almeida e Alex Barros de Souza também participaram da pesquisa, além dos estudantes Diego Santiago, Giuliano Bertinoti, Jean Nery e Mariane Peczec do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFPR Campus Umuarama.
Foram três campanhas de coleta no ano de 2019, em meio a mata do Parque Nacional de Ilha Grande, na região de Guaíra-PR. Nas incursões os pesquisadores levantaram a diversidade de invertebrados existentes no parque, em especial alguns insetos (vespas, borboletas, libélulas, moscas) e aracnídeos (opiliões).
Segundo a professora Patrícia Gomes, esses invertebrados foram escolhidos por serem fundamentais em vários processos ecológicos, como a polinização, dispersão de sementes, controle biológico de pragas, ciclagem de nutrientes entre outros.

Os dois artigos trazem importantes informações sobre a biodiversidade brasileira e um deles coloca o Parque Nacional de Ilha Grande no cenário nacional, com informações de alta valia para o Paraná.
“Esse estudo faz um levantamento sobre a diversidade de vespas sociais na Mata Atlântica, comparando trabalhos realizados em diversos estados brasileiros. O segundo artigo é muito importante, pois revela a ocorrência de uma espécie de borboleta criticamente em perigo de extinção, fato de extrema relevância para a conservação do parque”, disse a professora.
Em entrevista ao jornal Umuarama Ilustrado, a pesquisadora Patrícia Gomes explicou a importância desse tipo de pesquisa para a sociedade e como a ciência atua levantando informações, que deveriam ser utilizadas para um futuro de sustentabilidade.
Patrícia Gomes: Boa parte dos problemas que o ser humano vem enfrentando, atualmente, estão relacionados ao desequilíbrio que a sociedade vem causando ao meio ambiente. Nossa pesquisa é importante, pois foi o primeiro reconhecimento da biodiversidade de invertebrados que existe no Parque Nacional Ilha Grande. Existem poucas pesquisas no parque.
O Parque Nacional é uma das poucas áreas ainda preservadas de Mata Atlântica, da qual resta apenas 8% de vegetação preservada em todo o Brasil. E os animais encontrados nessa pesquisa são importantes indicadores de qualidade ambiental. Ou seja, se eles existem no parque significa que tanto a flora quanto a fauna estão preservadas. E se as florestas estão preservadas, isso pode melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Patrícia Gomes: Desmatar as florestas altera os padrões de chuva, ou seja, chove em épocas diferentes do normal. Com isso, os períodos de seca podem ser maiores e mais agressivos, o que pode ser prejudicial para a agricultura. Quando chove, o volume é muito alto e pode provocar grandes enchentes.
Manter as florestas também mantêm importantes serviços para o ser humano:
Patrícia Gomes: Trabalhos visando a conservação da biodiversidade são e, serão, cada vez mais importantes, tanto no Brasil quanto no restante do mundo. Especialmente porque, os mais graves problemas enfrentados pela humanidade atualmente, tais como as mudanças climáticas e a própria pandemia do Covid19, estão diretamente relacionadas à destruição dos habitats naturais e à perda da biodiversidade. Continuaremos sempre lutando pela conservação da biodiversidade brasileira.
