Karina M. Fernandes

12/02/2022

Estresse mata?

11/02/2022 14H48

Jornal Ilustrado


Há atualmente inúmeros estudos que abordam a temática do estresse e os efeitos deste para a saúde física e mental. Reuni algumas das mais importantes pesquisas sobre o assunto para conversarmos um pouquinho nesta semana. Quando nos submetemos a pequenas doses de estresse durante a vida, ocorre o que se chama de inoculação do estresse, ou seja, o organismo começa a desenvolver uma espécie de “imunidade psicológica” a estímulos estressores. Em alguns casos, pessoas que foram mais expostas a estímulos estressantes tendem a ser mais resilientes, assim como pessoas mais “protegidas” acabam não treinando o psicológico para lidar com determinados estressores. Porém, é importante mencionar que a vivência de um estresse pode ser adaptativa, beneficiando o desenvolvimento ou traumática, levando a complicações psicológicas e físicas. Um dos fatores amplamente estudados é de que o estresse é o principal fator de risco para o desenvolvimento de depressão. Desde 1957 a ciência estuda a disfunção na resposta ao estresse e aumento dos índices de cortisol (hormônio liberado pelo estresse) em pessoas com diagnóstico depressivo. A cronicidade da exposição ao estresse leva à morte de neurônios que, após serem danificados, sofrem prejuízo de neurotransmissores pela diminuição de sinapses. Uma das áreas do cérebro mais prejudicadas é o córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional. Por isso, quando nos estressamos tendemos a perder o controle das nossas emoções, pois há um dano fisiológico envolvido. Em contrapartida, estudos mostram que sorrir (isso mesmo, sorrir), diminui nossa resposta ao estresse através da frequência cardíaca. Você já ouviu falar que estresse aumenta os cabelos brancos? Embora esta seja uma afirmação muito comum, um estudo realizado em 2020 nos mostra que há, de fato, influência entre esses acontecimentos pela liberação aumentada de noradrenalina, diminuindo células troncos geradoras de melanócinos (que dão cor aos cabelos). Outra pesquisa realizada em 2015 levantou dados a respeito da relação entre o consumo de alimentos mais calóricos e estresse. Pela diminuição do nosso sistema de autocontrole (controle emocional), passamos a optar por alimentos mais calóricos quando estamos estressados. Entendeu porque você sente vontade de comer doces quando está ansioso ou estressado? Há comprovação científica de que o contato com a natureza, realização de exercícios físicos, momentos de lazer, descanso adequado, dentre outras estratégias protagonizam formas de cuidado da saúde física e mental não farmacológicas e extremamente eficazes para a regulação deste estado emocional tão comum. Percebeu o quanto o estresse em excesso pode te prejudicar?