INTOLERÂNCIA POLÍTICA

O resultado da eleição presidencial no Brasil continua gerando repercussões nas redes sociais. Nesta semana, uma captura de tela atribuída a uma estudante do curso de Direito da Universidade Paranaense (Unipar) passou a circular em grupos de aplicativos de mensagens, com uma declaração que deseja violência sexual contra mulheres que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na mensagem, a autora teria escrito: “Espero que seja estrupada todas as mulheres que votou no lula, já que como ele mesmo disse ‘acostumadas com toque desde criança’” (sic).
O conteúdo provocou manifestações de repúdio. A Associação Atlética de Direito da Unipar (AADUP) divulgou uma nota na qual classificou as declarações como graves e incompatíveis com os princípios defendidos pela entidade.
“As manifestações realizadas possuem conteúdo extremamente grave, ofensivo e absolutamente incompatível com os princípios e valores defendidos por nossa associação”, diz um trecho do comunicado.
A associação também ressaltou que diferenças ideológicas não justificam declarações dessa natureza e informou que adotará as medidas disciplinares e administrativas cabíveis, incluindo o procedimento de expulsão da estudante de seu quadro associativo.


Procurada pela reportagem do jornal Ilustrado, a Unipar informou que repudia manifestações de ódio, discriminação, preconceito ou qualquer forma de desrespeito à dignidade humana.
A instituição esclareceu que as declarações foram feitas em um grupo de WhatsApp de estudantes, que não constitui um canal oficial de comunicação da universidade. Segundo a nota, a unidade de Guaíra acompanhou a situação e adotou as medidas cabíveis, conforme as normas e os procedimentos institucionais.
A universidade também informou que a estudante se manifestou publicamente, apresentou uma retratação e esclareceu que a instituição e a Associação Atlética não tiveram participação nas declarações.
No posicionamento, a Unipar reafirmou seu compromisso com o respeito às mulheres, a valorização das diferenças e a promoção de um ambiente educacional pautado pela ética e pela dignidade humana.
O episódio ocorre em meio à circulação de outras notas de repúdio divulgadas por atléticas estudantis. Os comunicados mencionam manifestações que, segundo as entidades, envolvem casos de xenofobia, racismo, misoginia e apologia ao nazismo.
As declarações atribuídas à estudante também levantam questionamentos sobre os limites da liberdade de expressão e as possíveis consequências de manifestações que incentivam a violência contra mulheres.