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Helton Kramer Lustoza

ESCOLA DE GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL DE UMUARAMA

05/05/2019 08H47

Jornal Ilustrado - ESCOLA DE GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL DE UMUARAMA

Uma pesquisa realizada pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, constatou que de 3.359 Municípios do país apenas 95 deles, ou seja, 2,82 % do total, foram considerados eficientes na gestão pública. Os números revelam situações preocupantes, onde em alguns Municípios, as despesas de fiscalização e Administração tributária chegam a ser maiores que a própria arrecadação.

Com a Lei de Responsabilidade Fiscal e alterações promovidas pela Lei Complementar 157, os prefeitos e secretários ficaram diretamente responsáveis pela cobrança indevida dos tributos, o que quer dizer que não basta cobrar a qualquer custo, mas deve ocorrer da forma correta. Neste sentido, a LC 157 passou a configurar como improbidade administrativa, por parte do gestor responsável, a concessão de benefício fiscal no ISSQN quando a alíquota for fixada abaixo de 2%. A fixação de alíquota mínima no ISSQN visa impedir que municípios fixem percentuais inferiores ao piso, a fim de atrair e fomentar novos investimentos em seu território. Tal prática tem como uma de suas consequências o favorecimento de municípios de grande porte, posto que o alto volume de arrecadação permitiria a concessão desses benefícios fiscais.

É preciso ter em mente que, o resultado de uma gestão pública eficiente no âmbito do Município traduz-se em benefícios para toda a coletividade, pois permite a incrementação de uma faixa importante da receita municipal, o que poderá auxiliar na efetivação das políticas públicas sociais. Municípios que investiram na capacitação de seus funcionários viram a sua fonte principal de receita, os impostos, aumentarem numa escala vertiginosa. Para que isto aconteça, é preciso que a gestão pública e a arrecadação tributária sejam pautadas numa atuação correta dos agentes públicos, evitando nulidades e responsabilidades por falhas na fiscalização, realização e procedimentos de licitações e lançamentos tributários, o que pode gerar um impacto significativo nas finanças do Poder Público.

É uma necessidade que as Administrações Públicas, em especial as municipais, aprimorem suas formas de monitorar a atuação de seus agentes, elaborando um planejamento de ação e qualificando os protagonistas da ação pública, a fim de que estes possam atuar com maior eficiência a fim de reduzir as irregularidades, evitar fraudes e combater a informalidade.

Em épocas de crise não nos restam opções mágicas, temos mesmo que cortar custos e aumentar a receita. O que nos leva a seguinte pergunta: como fazer isso?

No caso de Municípios, duas políticas poderão ser adotadas, aumento de impostos e/ ou incremento das receitas já existentes. Na segunda opção, mais conveniente para todos, muito tem que se investir em treinamento, sendo que tudo que é cobrado sem o devido respaldo, acaba não dando o retorno que poderia se alcançar.

Recentemente, em parceria com a Universidade Paranaense – UNIPAR, foi lançado o projeto da Escola de Gestão Pública Municipal em Umuarama, trazendo a missão de realizar cursos e treinamentos de servidores públicos e demais profissionais que atuam perante a Administração Pública Municipal.

Os cursos promovidos pela EGPM serão uma oportunidade de buscar estratégias integradas de formação, qualificação e educação corporativa, reforçando o aperfeiçoamento das capacidades técnicas operacionais, especialmente orientadas para a adoção e adaptação de novos conhecimentos e tecnologias em gestão pública.

Em linhas gerais, as municipalidades estão enfrentando um cenário em que o aumento de receitas é uma necessidade irremediável, os governantes não poderão se arriscar em medidas extremas ou antipopulares, como o aumento desmedido de tributos. Assim, o caminho seguro e criativo é aperfeiçoar a arrecadação a fim de diminuir a informalidade e sonegação.

Helton Kramer Lustoza

Procurador do Estado

Professor do Curso de Direito da UNIPAR

www.heltonkramer.com