Dr. Eliseu Auth

ARTIGO

Entre a civilização e a barbárie

Dr. Eliseu Auth 29/09/2026 00H02

Jornal Ilustrado - Entre a civilização e a barbárie

O bom de olhar para a história é aprender com ela. Não repetir os erros do passado e seguir a virtude que também tinha lá. Ela foi uma briga constante na dialética de tese e antítese entre a civilização e a barbárie.

Li “A grande história do mundo”, de François Reynaert e vou à Grécia. Lá, no séc. VII a.C., o governo apropriado por pessoas ricas deu em graves problemas sociais: “Pequenos camponeses, esmagados por dívidas, são reduzidos à escravidão. Novas classes médias, enriquecidas no comércio, aceitam cada vez menos, ser excluídas dos processos de decisão e reformadores contestam o”status quo”. (op.cit. p.44). Veio Drácon, com leis escritas e severas que não existiam e, depois dele, Sólon proíbiu a escravatura por dívidas e ofereceu lugares nos tribunais às classes populares. Eram passos, rumo à Democracia que chegaria com Clístenes, no início do século V a.C. Ali, segundo o autor que citei, estabelece os princípios da Democracia, “concedendo a cada cidadão a igualdade perante a lei, reformando o eleitorado, dividido em circunscrições geográficas, em vez de classes sociais e, prevenindo o regresso dos tiranos, inventa a prática do ostracismo”(sufrágios do povo escritas em cascas de ostra). (in. op. cit. p.45). Depois, veio Péricles, sobrinho-neto de Clístenes que honrou o tio, elevando a democracia ao seu apogeu.

Aí está uma epopéia civilizatória greco-ateniense que honra a história. Entuanto a rival Esparta formava soldados para assegurar o domínio do rei, o ideal ateniense era formar cidadãos capazes de decidir o seu destino comum.

Aqui estamos aprendendo com o passado, mas preocupados com o futuro neste vasto mundo de meu Deus. Acabamos de ver a 81ª Assembléia Geral da ONU, instituição sagrada que deveria ser acatada por todos os povos e nações. Duas visões de mundo se digladiaram nos primeiros discursos sobre a convivência entre as nações do mundo inteiro que estava ali. O primeiro pronunciamento foi do nosso Presidente Lula que defendeu uma convivência civilizada no multilateralismo e respeito à soberania das nações. Condenou guerras que deveriam ser paradas com a Diplomacia, rejeitou interferências externas e implorou que o mundo não esqueça a questão ambiental do planeta, antes que seja tarde. No outro lado, Trump afirmou a autonomia do seu país ante organismos e regras internacionais, sinalizou atacar nações, negou o aquecimento do planeta e defendeu a Inteligência Artificial que não quer regulamentada. Sendo assim, como será o futuro, sem regras que protejam a todos nós? É preciso olhar para o amanhã e torcer que a civilização volte a habitar entre nós. O que vi, foi um embate entre a civilização e a barbárie.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).