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Em audiência, secretário diz que demarcação de terras indígenas não sairá como está previsto

15/05/2019 11H10

Ao participar de audiência pública em Guaíra, o secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antonio Nabhan Garcia, pediu para a região confiar no Governo Federal e garantiu que a demarcação de terras indígenas em Guaíra, Terra Roxa e Altônia não vai sair nos moldes como tem sido colocado nos últimos meses. “Querem transformar três municípios em terras indígenas. Prova que governos anteriores não tiveram sanidade. Infligir a lei do direito de propriedade é algo muito sério”, disse.

Nabhan destacou ainda o comprometimento do presidente Bolsonaro com a causa agrícola e afirmou:”Os senhores jamais deveriam estar passando pelo que passaram, quem é honesto e trabalhador não tem que temer o quarto poder que trabalha disfarçado pelo discurso da defesa das minorias. Nem um palmo de terra será tirado de ninguém e os que foram deverá ser revisto”. A fala tranquilizou os líderes e produtores rurais da região que até o ano passado viviam assustados com a promessa da Funai de transferir mais de 20 mil hectares aos índios nos três municípios.

Silvanir Rosset, presidente do Sindicato Rural de Guaíra, afirmou que tem esperança nos governantes e acredita que a lei do País será soberana, prevalecendo o direito de propriedade.

O prefeito de Guaíra, Heraldo Trento, apresentou um vídeo que trouxe uma linha do tempo obtida no google Earth, mostrando que as invasões de terras por índios iniciaram a partir de 2004 e tiveram um crescimento expressivo a partir de 2009. O vídeo também exibiu três casos de supostos caciques que estão no relatório do inquérito que visa apurar fraudes de falsidade ideológica e falsificação de documentos de cidadãos estrangeiros que atuam como líderes das ações indígenas em Guaíra e região e recebem benefícios do governo municipal, estadual e federal.

Heraldo Trento falou dos projetos de desenvolvimento em Guaíra e destacou que o processo administrativo de demarcação nada tem a contribuir para a região nesse sentido. E propôs ao Governo Federal uma investigação cautelosa dentro da FUNAI.

O deputado federal Sérgio Souza, pediu ao representante do Ministério da Agricultura no evento para achar um caminho mais curto para o assunto ser resolvido e que o parlamento irá apoiar. “Tá claro que as terras aqui são dos proprietários. E que deve ser respeitado o marco temporal e cadeia dominial.”

A audiência foi promovida pelos sindicatos rurais de Guaíra, Terra Roxa e Altônia, e ocorreu sexta-feira dia 10 no auditório da Unipar de Guaíra. Também estiveram presentes o deputado federal Evandro Roman, dezenas de prefeitos das regiões Oeste e Noroeste, vereadores, o presidente da Amop, Junior Weiller, representantes de entidades, sindicatos, representante das forças armadas, BPFRON, Marinha do Brasil e Exército Brasileiro.

Altônia presente

O presidente do Sindicato Rural de Altônia, Braz Reberte Pedrini, destacou a importância da audiência. Ele esteve no encontro juntamente com o prefeito Claudenir Gervasone, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Nunes da Mata e José Neri, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Amerios apoia

O presidente da AMERIOS e prefeito de Brasilândia do Sul, Márcio Marcolino, participou da audiência sobre a polêmica demarcação de terras para indígenas. Ele disse que a AMERIOS está junto dos agricultores nesta luta. “Altônia pertence a nossa Associação e nossa presença hoje é para dizer que estamos à disposição para lutarmos juntos em defesa dos agricultores desta região”, lembrou. “Não podemos permitir que injustiças sejam cometidas”, sentenciou o deputado Sérgio Souza ao site Alerta Paraná. O Deputado expôs em janeiro deste ano a situação a Nabhan Garcia e o convidou a vir ao Paraná para conhecer de perto a situação. Em entrevista à rádio CBN Cascavel 93.9 FM, Sergio Souza ressaltou que imagens de satélite da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da Defesa Nacional provam que quando da promulgação da Constituição Federal de 1988 não havia ocupação indígena nesses municípios.