‘Sou um milagre’

Umuarama viveu, nas últimas semanas, um dos testemunhos mais comoventes de fé, resistência e superação. O presbítero Eliseu Martins dos Santos, de 48 anos, membro da Igreja Assembleia de Deus da Praça dos Xetás, retornou para casa no dia 15 de maio após quase 50 dias de internação, três cirurgias, complicações graves de saúde e orações incessantes vindas de várias partes do mundo.
O acidente aconteceu na noite de 26 de março, em uma chácara da família localizada na Estrada Monte Sião, saída para Xambrê. Eliseu e sua filha de 21 anos estavam deitados em uma rede quando um pilar de sustentação cedeu e caiu sobre os dois. Ambos sofreram fraturas na bacia, mas o estado de saúde do presbítero foi considerado gravíssimo. Ele foi atendido pelo Samu e levado ao Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Umuarama, onde passou pela primeira cirurgia de urgência.
Viagem entre hospitais e risco de morte
Após cinco dias no Hospital Nossa Senhora, Eliseu foi transferido para o Hospital Uopeccan, também em Umuarama. Pouco depois, devido à complexidade do caso, ele foi transferido novamente — dessa vez para o Hospital Santa Rita, em Maringá. Lá, enfrentou o momento mais crítico de sua jornada. Após uma das cirurgias, sofreu uma embolia pulmonar severa, que comprometeu os rins e os pulmões e o deixou em estado gravíssimo. Ele foi entubado e os médicos chegaram a preparar a família para o pior.
“Eles me chamaram dizendo que o caso era extremamente grave, que a embolia poderia atingir o coração. Eu respondi que Deus tinha promessas na nossa vida e que eu acreditava no milagre”, contou Elisângela Martins, esposa de Eliseu, que permaneceu ao seu lado em todos os momentos.
Eliseu ficou inconsciente por quase duas semanas. Durante esse período, correntes de oração se espalharam pela cidade, igrejas locais e até no exterior. “Nós vimos Deus agir com as próprias mãos. Hoje podemos dizer que vimos um milagre”, emocionou-se Elisângela.

Alta hospitalar com carreata e louvor
No dia 13 de maio, Eliseu deixou a UTI respirando sem ajuda de aparelhos. Dois dias depois, teve alta e foi recepcionado com uma carreata emocionante em Umuarama. Amigos, familiares e irmãos de fé se reuniram em frente ao Parque de Exposições para recebê-lo com aplausos, cartazes, lágrimas e cânticos de louvor.

A chegada foi marcada por muita emoção. “Foi uma noite de gratidão. O milagre estava diante dos nossos olhos”, declarou o pastor Alessandro Gabriel, da Assembleia de Deus Praça dos Xetás, que conduziu uma oração especial na residência da família.

“Deus me sustentou o tempo todo”
Em entrevista, Eliseu relatou ter passado por intensas dores, alucinações causadas pelos medicamentos, mas em nenhum momento pensou em desistir. “Desde a primeira cirurgia, pedi para que Deus conduzisse as mãos dos médicos. Ele não me abandonou”, afirmou.
Já em casa, mesmo ainda em recuperação, Eliseu voltou a frequentar os cultos de sua igreja. “Hoje eu ando com dificuldade, mas ando. Até dirijo, com bastante cuidado. Cada passo é uma vitória”, disse emocionado.
Ao ser questionado sobre o maior aprendizado dessa experiência, ele foi direto: “Aprendi que não somos nada nessa terra. Dependemos exclusivamente de Deus. Nossa missão aqui é proclamar o nome d’Ele.”
Gratidão e esperança
Elisângela, que foi uma das principais responsáveis por mobilizar a cidade com campanhas de oração e doações, também destacou a união da comunidade. “Teve gente do Brasil inteiro orando, até familiares no exterior. Pessoas de diferentes religiões se uniram em favor do Eliseu. E Deus ouviu.” Além da mobilização espiritual, uma vaquinha virtual foi criada para ajudar nas despesas médicas e de reabilitação, principalmente porque uma das filhas do casal também se feriu no acidente.

No final, Eliseu fez questão de ressaltar um nome que considera decisivo para sua sobrevivência. “Depois de Deus, a minha esposa foi a peça principal. Ela é meu braço direito desde o primeiro dia até hoje. Eu dependo 100% dela.”
Eliseu segue se recuperando em casa, sob acompanhamento médico e fisioterapia, mas já faz questão de agradecer em cada culto que participa. A sua presença, ainda que com passos lentos, é para muitos uma prova viva de que milagres ainda acontecem.