Umuarama

Perigo

Drogas sintéticas chegam em Umuarama e aterrorizam famílias

26/12/2019 15H15

“As drogas estão matando nossos filhos”! Está exclamação foi feita por uma mãe de Umuarama, que teve sua filha de 20 anos internada com alteração em todos os órgãos do corpo, ocasionada pelo consumo de drogas sintéticas em uma festa na cidade. Conforme a denúncia da mulher, que preferiu não se identificar, é comum em algumas festas particulares da cidade o consumo de LSD, MDMA, ecstasy, cocaína entre outras.

Durante semanas e em um estado de impotência perante a situação, a mãe acompanhou a filha na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cemil de Umuarama esperando uma reação aos tratamentos. “Ela ficou com a pele toda sensível e roxa. O fígado parou de filtrar, outros órgãos foram afetados. Essa droga que está rolando é muito perigosa. Minha outra filha me disse que um coleguinha dela da escola também está no hospital por causa de drogas. Sabemos de muitos relatos, porém nada é feito”, disse indignada.

Após intenso tratamento a jovem conseguiu se recuperar, porém, globalmente, em torno de 35 milhões de pessoas sofrem de transtornos decorrentes do uso de drogas e necessitam de tratamento, de acordo com o mais recente Relatório Mundial sobre Drogas, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Especialista

Segundo o responsável técnico pela comunidade terapêutica de recuperação para dependentes químicos Fazenda Renascer e também psicólogo da instituição, Márcio Cledysson Tozzini, estudos mostram que há anos a humanidade faz uso de alguma substância psicoativa, para alterar a mente e causar sensações. Porém, esse uso era geralmente feito em situações de cunho espiritual, mas hoje esse uso tem outra vertente. “É uma busca por um prazer e modificar como o corpo percebe as coisas e as sensações”, disse.

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Conforme o psicólogo, com especialização em psicanálise, o uso de drogas é um assunto complexo e cada caso precisa ser analisado. Entretanto, existe a questão da falta. “O ser humano tem um vazio estrutural e que ao longo da vida atua no desenvolvimento psíquico. Em alguns casos, esse ser humano tenta lidar com esse incomodo de existir, quanto humano, buscando saídas. Mas algumas opções não são muito boas, como o uso de drogas”, explicou.

“Já ouvi isso de muitas pessoas: se eu ficar sem a droga é como se uma parte do corpo faltasse. Com a droga estou completo. Mas os malefícios desse uso são horríveis. Existem outras formas de preencher essa falta, esse vazio, como por exemplo a religião ou uma crença em um ser divino para dar sentido às perguntas não respondidas na vida do ser humano”, contou Tozzini.

Em linhas gerais, no início, a busca pela droga vem para dar um prazer e nesse período o usuário tem o engano de ter controle e que pode parar ao a qualquer momento, disse o entrevistado. “Não é isso que acontece. Conforme vai fazendo uso das drogas, isso vai se instalando no organismo da pessoa, adoecendo o cérebro e desenvolvendo a dependência. Depois de algum tempo, esse uso da droga passa do prazer para se livrar de um mal estar, causado pela falta da droga”, ressaltou.

A importância do Diálogo

Quando os pais se deparam com um filho usando droga vem o desespero e o desejo de proteção, que muitas vezes aparece com imposições e repressão. Mas a melhor opção é o diálogo, alerta o especialista. “É preciso estabelecer um diálogo, um papo aberto dentro de casa, esclarecendo e tirando dúvida. Não vamos julgar, represar e condenar, tem que dialogar com o adolescente, pois ele precisa de alguém para o defender. Os pais observam o perigo e o filho em uma situação de vulnerabilidade e acabam querendo impor as coisas. Isso gera no filho a resistência. O dialogo é fundamental na prevenção”, alertou.

Tratamento

No tratamento, como ressaltou Tozzini anteriormente, cada caso precisa ser analisado, mas geralmente são administrados remédios e terapias. “Como oferecemos na comunidade ou na minha clínica, a gente faz uma retomada do processo e da motivação do uso das drogas. Como estabeleceu a dependência e fatores que favoreceram esse uso. Desta forma o paciente toma consciência e consegue evitar comportamento, atitudes, lugares, situações que vão fazer ele a voltar a usar a droga”, noticiou.

“Não é uma dependência somente física, mas também psicológica. Se faz um tratamento só medicamentoso a substância atua nos neurotransmissores, mas não subjetivamente, que é a experiência que a pessoa tem com o uso das drogas. O registro que vai ficando dessa experiência o remédio não vai atuar, se não tiver um acompanhamento terapêutico o paciente acaba tendo a recaída.