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TRAGÉDIA

Dois trabalhadores são resgatados vivos nove dias após avalanche no Himalaia

04/09/2026 12H02

Jornal Ilustrado - Dois trabalhadores são resgatados vivos nove dias após avalanche no Himalaia

Dois trabalhadores foram encontrados com vida nesta sexta-feira (4), nove dias após uma avalanche de grandes proporções atingir a região do Himalaia e provocar uma das maiores tragédias naturais recentes no Nepal. Os homens estavam presos em um túnel da usina hidrelétrica Trishul 3A e foram retirados durante uma operação de resgate conduzida pelo Exército nepalês.

O primeiro trabalhador foi localizado e retirado do túnel durante a manhã. Pouco depois, autoridades confirmaram que uma segunda pessoa também havia sido encontrada com vida.

Imagens divulgadas pelo Exército mostram um dos sobreviventes coberto de lama e sendo carregado nos ombros por um socorrista. Os dois receberam atendimento médico ainda no local e, posteriormente, foram encaminhados para um hospital em Katmandu.

Familiares acompanharam com emoção a confirmação do resgate. “Não consigo explicar o que estamos sentindo neste momento. Estamos apenas gratos a Deus”, afirmou Amir Maharjan, irmão de um dos trabalhadores, à agência Associated Press.

Socorristas ainda ouvem vozes

O resgate dos dois trabalhadores renovou a esperança das equipes que continuam atuando na região. Segundo os socorristas, outras vozes teriam sido ouvidas dentro do complexo de túneis, indicando a possibilidade de haver mais sobreviventes.

O ministro da Energia do Nepal, Biraj Bhakta Shrestha, afirmou à BBC que havia expectativa de novos resgates nas horas seguintes.

A situação na usina Trishuli 3A é uma das mais críticas. Pelo menos 557 trabalhadores são considerados desaparecidos no local, às margens do rio Trishuli. De acordo com a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal, cerca de 115 pessoas podem estar presas no túnel principal.

Tragédia já deixou mais de 1,3 mil mortos

A avalanche atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete em 26 de agosto, após o colapso de uma grande massa de gelo no topo do Himalaia. O desastre provocou destruição em cidades e vales de diferentes pontos da região e deixou um número elevado de mortos e desaparecidos.

No Nepal, o balanço atualizado pelas autoridades nesta sexta-feira aponta 1.287 mortos e 5.083 desaparecidos.

No lado tibetano, autoridades chinesas informaram 31 mortes e 531 desaparecidos. As buscas continuam em áreas atingidas e também em instalações de geração de energia.

A dimensão da tragédia também é sentida nas usinas hidrelétricas. Autoridades locais estimam que aproximadamente 900 trabalhadores estejam desaparecidos em 12 usinas, sendo que cerca de 500 podem estar presos em túneis.

Prejuízo bilionário

Além das perdas humanas, o desastre provocou danos de grandes proporções à infraestrutura. Segundo Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres, os prejuízos com imóveis, moradias e obras de infraestrutura já são estimados em pelo menos US$ 2,56 bilhões, o equivalente a cerca de 387,5 bilhões de rúpias nepalesas.

O governo estima ainda que os primeiros quatro meses de recuperação exigirão aproximadamente US$ 52,6 milhões. Os recursos deverão ser destinados à reconstrução de estradas, instalação de abrigos temporários e recuperação dos sistemas de abastecimento de água e energia elétrica.

Enquanto as equipes avançam nas operações de busca, o resgate dos dois trabalhadores depois de nove dias é visto como um sinal de esperança em meio à devastação provocada pela avalanche.

(com g1)