Vida e Cultura

Dicas para uma boa leitura

21/08/2020 07H06

Esse Nosso Jeito Bélico de Viver

“Discordou?! É inimigo!”. Esse é o belicismo do dia a dia apresentado pela escritora carioca Karine Aragão, doutora em Literatura e Cultura Contemporânea, na obra “Esse Nosso Jeito Bélico de Viver”, publicada pela Lura Editoral. Leitura indispensável em tempos de intolerância e de transformações sociais que fragilizam a capacidade de escuta, o livro problematiza a dificuldade de estabelecer conexões e discute as possibilidades de reconfiguração do que se compreende como diálogo na realidade contemporânea. Segundo a autora, o “belicismo cotidiano” surge quando a discordância é interpretada como um confronto e a reação automática é eliminar do convívio a ameaça, “cancelá-la”. Tal ação exibe o lado mais impassível do ser humano, que constrói sua subjetividade sob o signo do bélico, fenômeno exposto e analisado por Karine. O livro convida o leitor a pensar “por que” e como chegamos a essa inabilidade de dialogar, de sentir, de nos aproximarmos do outro, e sobre o quê podemos fazer para transformar esse quadro. Disponível em e-book, o livro tem 95 páginas.

Déspotas Mirins, O Poder nas Novas Famílias

Por que a sociedade atribui às mulheres e às mães a responsabilidade pelas crianças sem limites que infernizam a vida de professores e o convívio sociofamiliar? Esse foi o questionamento que inspirou a tese de pós-doutorado da psicanalista Marcia Neder. O resultado virou livro: a segunda edição de “Déspotas Mirins, O Poder nas Novas Famílias”, lançamento da Editora Metamorfose. Segundo Marcia, vivemos uma “pedocracia”, nome que ela criou para a era do poder infantil, modelo caracterizado pela vida em família que gira em torno da criança desde a gravidez. De acordo com a escritora, o fim do patriarcado deu mais poder para os pequenos – e não para as mulheres. Como são elas as responsáveis pelos cuidados e educação dos filhos, também se tornam as mais submetidas a esses novos tiranos. Outro ponto explorado pela psicanalista são as novas famílias, famílias modernas ou a família brasileira. A “família tradicional”, formada por papai, mamãe e filhos, patriarcal e aparentemente coesa, foi im­plodida pela modernidade. Hoje, enteados, sogros, meio-irmãos e avós fazem parte dos núcleos familiares, construção que ainda não se adequou para educar.

Cinco Máscaras

Qual seria o impacto mundial com a descoberta da cura de todas as doenças?! Com medo que a informação caísse em “mãos erradas”, seis cientistas esconderam esse tesouro “a cinco chaves”. Quem revela esse cenário que, infelizmente, está presente somente na literatura, é o jornalista e tradutor Carlo Antico, na obra “Cinco Máscaras”. Prince Lafitte, personagem principal dessa história, é apaixonado por bandeiras desde criança. Na vida adulta o hobby virou profissão: a vexilologia, estudo de bandeiras, é a realização profissional do protagonista. Não podia ele imaginar que o conhecimento seria essencial na busca de uma lenda perdida. Tal busca inicia após Prince perder uma de suas melhores amigas para o câncer e, ainda de luto, descobrir que outro companheiro terá de enfrentar a mesma luta pela vida. A única chance de salvar o amigo é seguir pistas espalhadas pelo mundo e usar toda a sua experiência como vexilologista. O objetivo é encontrar cinco máscaras, chaves que abrem um tesouro escondido que guarda a cura. História, mistério, fantasia e ação recheiam a obra. O livro tem 207 páginas e é da Editora Labrador.

Mulheres Chovem

Palavras não escritas, sufocam. Foi o que declarou Myriam Scotti nas primeiras páginas do lançamento “Mulheres Chovem”. E, para não sufocar, ela escreveu as 58 poesias que recheiam a obra. Entre os versos que representam a singularidade de cada mulher, Myriam relata a transformação da sensibilidade em força e poder… tal processo é comparado ao arco-íris após a chuva: ele não existe sem que a água escorra. É assim que a escritora empodera a sensibilidade, vista por tantos como algo negativo. As poesias de Myriam, cujo tema é o universo feminino, falam da mulher, esse todo que não se define. A mulher, que não é uma, mas tantas. A mulher, que é feita de fragmentos pulsantes, num desencaixe que não é de fúria, mas furor de resistência e restauro para quem tem coragem de enfrentar os dias. “É preciso ser rio, para dissolver toda a experiência humana. É preciso ser água, para escorrer sem reservas. É preciso chover, para que se veja o arco-íris”, arremata a poeta, que nunca esteve tão certa. Da Editora Penalux, o livro tem 77 páginas.