Umuarama

Cultura

Dia do Folclore resgata a identidade e a incorporação da cultura brasileira

22/08/2019 09H41

Tradições, crenças e superstições são alguns fatores que nascem dos povos e moldam as raízes, a cultura e a identidade das nações. Tais fatores são englobados na palavra folclore, a qual reúne as memórias dos nossos antepassados brasileiros em lendas, contos e danças. Porém, fugindo do ambiente escolar, esses costumes estão sendo trocadas pelas culturas estrangeiras.

A professora e escritora Ângela Russi, falou para o jornal Umuarama Ilustrado a respeito da data, comemorada hoje (22), e no início da entrevista ressaltou a frase de Leon Tolstói: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia” de Leon Tolstói. “Nunca devemos abandonar nossa história. O novo só é bom, pois teve uma história anterior”, disse a professora.

Ainda segundo a professora, quando os alunos saem do ensino fundamental não se ouve mais sobre o Folclore. “Nascemos de uma tradição oral e esses contos resgatam nossa história, nossa cultura. Eles resgatam um passado, quando as pessoas usavam os mitos para explicar alguma coisa. É uma riqueza, que hoje não é valorizada”, ressaltou.

Para a professora da Universidade Paranaense (Unipar), Ana Lúcia Ribas, mestre em comunicação e cultura, o folclore emana do povo e molda a identidade das nações. Porém, hoje, as manifestações culturais são produzidas a partir do apelo mercadológico, promovendo a massificação dos costumes estrangeiros. “O Brasil conhece mais os mitos de outros países. Como o brasileiro vai se valorizar se não tem o conhecimento daquilo que forma toda a cultura brasileira? Hoje vivemos no estrangeirismo dos filmes, nos mitos, crenças, músicas até literatura”, esclareceu.

Nas reflexões da educadora, essa desvalorização das tradições, lendas, contos, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, adivinhações e festas que nasceram e se desenvolveram com o povo brasileiro, promove a desfragmentação da identidade. “Sem identidade as pessoas não se reconhecem, não sabem quem são. Elas deixam de produzir cultura e passam a ser apenas reprodutoras. Apenas vão viver a relação de mercado: trabalhar para consumir a cultura enlatada”, explica.

Curiosidades

“O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito” – É o primeiro livro do escritor brasileiro Monteiro Lobato (1882-1948), publicado em 1918 a partir de uma série de depoimentos reunidos pelo autor. Também é o primeiro livro a tratar da crença do Saci, um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Lobato, porém, não assinou a obra como autor, pois considerou que seu papel havia sido de editor dos textos enviados. O título, pela ortografia da época, era “O Sacy-Pererê: Resultado de um Inquérito”.

Em 1917, Monteiro Lobato propôs aos leitores do “Estadinho”, suplemento do jornal O Estado de São Paulo, do qual era colaborador, que enviassem cartas contando tudo o que soubessem ou tivessem ouvido falar sobre o mito do Saci-Pererê.

O inquérito recebeu dezenas de respostas, que apresentaram tons variados. Muitas traduziam uma nostalgia da infância passada em fazendas do interior de São Paulo e Minas Gerais, outras atribuíam a crença no Saci à ignorância da população rural. Há também referências a outras lendas brasileiras, como o lobisomem, a mula sem cabeça e o boitatá.