Colunistas

Eliseu Auth

Dia das Mães

14/05/2019 08H20

Gioseppe Artidoro Ghiaroni, poeta e jornalista mineiro escreveu este poema que fala por nós sobre a mãe e põe lágrimas nos olhos quando o lemos:
“Mãe! Eu volto a te ver na antiga sala onde, uma noite, te deixei sem fala, dizendo Adeus como quem vai morrer! E me viste sumir pela neblina, porque a sina das mães é esta sina: Amar, cuidar, criar, depois perder!
Perder o filho é como achar a morte! Perder o filho, quando grande e forte já podia ampará-la e compensá-la. Mas, nesse instante, uma mulher bonita, sorrindo o rouba… e a velha mãe aflita ainda se volta para abençoá-la!
Assim parti e me abençoaste. Fui esquecer o bem que ensinaste; Fui para o mundo me deseducar… E tu ficaste num silêncio frio, olhando o leito que eu deixei vazio; cantando uma cantiga de ninar!
Hoje, volto coberto de poeira e te encontro quietinha na cadeira. A cabeça pendida sobre o peito. Quero beijar-te a fronte… e não me atrevo. Quero acordar-te, mas não sei se devo! Não sinto que me cabe este direito!
Eu te esqueci. As mães são esquecidas! Vivi a vida, vivi muitas vidas. E só agora, quando chego ao fim, traído pela última esperança; E só agora quando a dor me alcança; Lembro quem nunca se esqueceu de mim!
Não! Eu devo voltar, ser esquecido. Mas… que foi! De repente ouço um ruído. A cadeira rangeu! É tarde agora! Minha mãe se levanta, abrindo os braços! E me envolvendo num milhão de abraços, rendendo graças, diz: Meu filho. E… chora!
E chora! E treme, como fala e ri! E parece que Deus entrou aqui, em vez do último dos condenados! E o seu pranto, rolando em minha face! Quase é como se o céu me perdoasse, me limpasse de todos os pecados! (…)
Santa que eu fiz envelhecer sofrendo. Mas, que beijas como agradecendo toda a dor que por mim te foi causada! Dos mundos onde andei nada te trouxe! Mas, tu me olhas num olhar tão doce que nada tendo, não te falta nada!” (…) O poeta falou por nós. Todo dia é Dia das Mães.

(Eliseu Auth é promotor de justiça inativo, atualmente advogado).