Cotidiano

CHACINA ICARAÍMA

Defesa da família Buscariollo pede revogação da prisão de “Mamute” após audiência de custódia

19/08/2026 16H24

Jornal Ilustrado - Defesa da família Buscariollo pede revogação da prisão de "Mamute" após audiência de custódia

Advogado afirma que Carlos Henrique estava em São Paulo no período dos fatos e diz que defesa já havia solicitado, em 2025, a preservação de provas que poderiam confirmar a localização

Os irmãos Paulo Ricardo Costa Buscariollo e Carlos Henrique Buscariollo, e o pai Antônio Buscariollo, investigados pela morte de quatro homens em Icaraíma, foram apresentados nesta quarta-feira (19) em audiência de custódia após o cumprimento dos mandados de prisão expedidos pela Justiça do Paraná.

Em nota encaminhada à imprensa, o advogado Renan Nogueira Farah, que representa a família, informou que apresentou os requerimentos da defesa durante a audiência e que já está protocolando novos pedidos diretamente à Justiça de Icaraíma.

Segundo o advogado, durante a audiência de custódia foram discutidos aspectos relacionados às prisões. No caso de Carlos Henrique, o “Mamute”, a defesa apresentou elementos que, segundo afirma, apontam que ele estaria no Estado de São Paulo durante o período em que ocorreram os fatos investigados.

Conforme a nota, o magistrado responsável pela audiência explicou que não caberia a ele rever ou revogar uma ordem de prisão decretada por outro juízo. A análise realizada naquele momento estaria concentrada na regularidade e nas condições em que as prisões foram cumpridas.

Diante disso, a defesa informou que encaminhou ao Juízo de Icaraíma, responsável pela decretação das prisões, os pedidos considerados pertinentes, entre eles a revogação da prisão de Carlos Henrique.

Jornal Ilustrado - Defesa da família Buscariollo pede revogação da prisão de "Mamute" após audiência de custódia
Antonio e Paulo Ricardo Buscariollo estavam escondidos em sítio no interior paulista (imagem reprodução)

Defesa diz que provas já eram buscadas desde 2025

Um dos principais argumentos apresentados pelo advogado é de que a alegação de que Carlos Henrique estaria em São Paulo durante o período dos crimes não teria surgido somente após a prisão.

De acordo com a defesa, ainda em 2025 foram adotadas medidas judiciais para preservar provas que poderiam ajudar a esclarecer a localização do investigado. Entre os elementos citados estão documentos fiscais referentes a compras realizadas em Santa Bárbara d’Oeste (SP), informações relacionadas ao cumprimento de serviço comunitário na cidade e a solicitação de imagens de câmeras de segurança.

A defesa destaca ainda que o próprio Juízo de Icaraíma teria reconhecido anteriormente a possibilidade de as imagens de um estabelecimento comercial, o Atacadão de Santa Bárbara d’Oeste, contribuírem para o esclarecimento dos fatos e determinado providências para a obtenção do material.

O advogado ressalva, entretanto, que a defesa ainda não teve acesso integral ao inquérito policial e, por isso, não afirma se as diligências relacionadas às imagens foram concluídas ou qual teria sido o resultado. A intenção, segundo ele, é que esses elementos sejam efetivamente analisados antes de uma decisão sobre a manutenção da prisão.

Prisões ocorreram após um ano de investigação

As prisões da família Buscariollo ocorreram após cerca de um ano de investigação sobre a morte de Rafael Juliano Marascalchi, 43 anos; Diego Henrique Affonso, 39; Robishley Hirnani de Oliveira, 53; e Alencar Gonçalves de Souza, em Icaraíma. Os quatro desapareceram em 5 agosto de 2025 após uma cobrança de dívida e posteriormente foram encontrados mortos e enterrados em uma área rural. A investigação apura homicídios qualificados e ocultação de cadáveres.

Antônio e Paulo foram localizados em um sítio na região de Rio das Pedras, no interior de São Paulo, enquanto Carlos Henrique foi preso em Santa Bárbara d’Oeste. Carlos Eduardo Buscariollo, outro integrante da família, já estava preso por outro crime e também é investigado no caso.

Na manifestação enviada nesta quarta-feira, a defesa afirma que continuará buscando que a situação de cada investigado seja analisada individualmente, ressaltando que a gravidade das acusações não deve, segundo o advogado, ser automaticamente atribuída a todos os integrantes da família.

Em entrevista coletiva realizada na terça-feira (18) na 7ª SDP da Polícia Civil de Umuarama, os delegados encarregados da investigação, Izaias Cordeiro, Thiago Andrade Inácio e Leonardo Martinez apontaram que as investigações realizadas até o momento indicam que Carlos Henrique Buscariollo seria o mandante do quádruplo homicídio.

A investigação sobre a chacina segue sob responsabilidade das autoridades policiais e judiciais competentes. Os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.