CONHECIMENTO

A Comissão da Advocacia Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Umuarama – promoveu, na noite desta terça-feira (15), um curso presencial voltado a temas práticos do Tribunal do Júri e à utilização da prova digital na advocacia criminal. O evento, realizado no auditório da subseção, reuniu dezenas de advogados e estudantes de Direito de Umuarama e região, que lotaram o espaço para ouvir dois dos mais renomados criminalistas do país: Dr. Cláudio Dalledone e Dr. Renan Pacheco Canto.

Estratégia, coragem e ética no Tribunal do Júri
A primeira parte do curso, conduzida por Dalledone, teve início às 19h30 e se estendeu até as 20h50. Com mais de três décadas de experiência em plenário, o advogado compartilhou vivências marcantes de sua trajetória e refletiu sobre a importância da técnica, da ética e da coragem no exercício da advocacia criminal.
“A advocacia criminal exige técnica, mas também coragem. É preciso se manter firme, mesmo diante da pressão”, afirmou.

Durante sua exposição, o criminalista destacou os desafios enfrentados em plenário e a necessidade de constante aprimoramento dos profissionais que atuam no Tribunal do Júri. Comparou o júri a um verdadeiro campo de batalha:
“É uma guerra — guerra de narrativa, de postura, de argumentos. Se o advogado for despreparado, estará fadado ao fracasso, e quem pagará o preço será o cliente.”

Dalledone também abordou a crescente expansão dos júris federais, ampliando o campo de atuação dos profissionais da área, mas exigindo ainda mais preparo técnico e comprometimento ético.

Júri começa antes do plenário
Outro ponto de destaque da palestra foi a reflexão sobre o início da atuação do advogado. Segundo Dalledone, o trabalho não começa no dia do julgamento, mas muito antes, desde a coleta de provas, o acompanhamento do inquérito policial e até mesmo a forma como o defensor se posiciona perante a imprensa.
“O júri começa no dia dos fatos. Começa com sua primeira entrevista, com o acompanhamento do inquérito, com a sua narrativa nas redes sociais. O advogado precisa entender que o julgamento em plenário é apenas o ápice de um processo que se constrói desde o início”, explicou.

O advogado também chamou atenção para a influência da opinião pública e da mídia nos casos de grande repercussão, destacando a importância de o defensor saber lidar com esse fator de maneira estratégica, sem abrir mão da ética.
Em um dos momentos mais marcantes da palestra, Dalledone relatou um episódio pessoal em que sua atuação combativa o colocou em risco. O criminalista contou que chegou a ser alvo de um atentado a tiros ordenado por um líder de organização criminosa, que interpretou sua defesa em determinado caso como afronta.
“Foram ao meu escritório para me matar. Dispararam dezenas de tiros. Por sorte, eu não estava lá naquele momento”, relembrou, ressaltando que o exercício da advocacia criminal muitas vezes exige não apenas coragem, mas resiliência.

Ao encerrar sua fala, Dalledone defendeu a união da classe e o fortalecimento da advocacia criminal por meio do apoio mútuo entre colegas.
“Mais do que nunca, precisamos de uma advocacia unida”, concluiu.

Durante o intervalo, os participantes puderam aproveitar um coffee break e momentos de integração e networking.
A era digital no processo penal
Na segunda parte do curso, iniciada às 21h10, o advogado Renan Pacheco Canto abordou o tema “Prova Digital na Advocacia Criminal”. A palestra apresentou exemplos práticos de casos em que investigações defensivas conduzidas por sua equipe — em parceria com Dalledone — revelaram falhas processuais graves, resultando na absolvição de réus ou na anulação de julgamentos.

O criminalista destacou a importância de dominar as novas tecnologias aplicadas ao processo penal e compreender a cadeia de custódia das provas digitais, um aspecto essencial para garantir a validade e a autenticidade dos elementos apresentados em juízo.
“Em diversos casos, conseguimos absolvições demonstrando erros gritantes tanto na fase do inquérito quanto no processo. A prova digital é poderosa, mas deve ser compreendida e utilizada com técnica”, pontuou Renan.

Além da questão técnica, o advogado defendeu o uso de recursos visuais e narrativos, como infográficos e storytelling, para tornar a defesa mais clara e persuasiva diante do conselho de sentença.
“A criatividade e a narrativa são aliadas da técnica. Uma defesa bem estruturada, visual e emocionalmente conectada com o júri, tem muito mais força”, destacou.

Fortalecimento da advocacia criminal
A abertura e o encerramento do evento foram conduzidos pelo presidente da OAB Umuarama, Dr. Lucas Leonardi Priori, que destacou a relevância da iniciativa.
“Cursos como este são essenciais para aprimorar o conhecimento técnico dos advogados, estimular os acadêmicos e fortalecer a advocacia criminal em nossa região”, afirmou.

A Comissão da Advocacia Criminal da OAB Umuarama é presidida pela advogada Bruna Maidila Schimposki Scremin, tendo como vice-presidente Alessandro Dorigon e secretário Matheus Henrique de Freitas Urgniani.

O curso encerrou-se às 22h30 com grande receptividade do público.







