Umuarama

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Conselhos alertam para as violências contra a mulher em Umuarama

06/03/2019 08H57

Entramos na semana que antecede o Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, com reflexões a serem feitas. Além das festas carnavalescas deste ano, a comunidade brasileira está assombrada com o crescente número de violência registrado contras as mulheres. Desta forma, o Conselho da Comunidade e o Conselho Municipal dos Diretos da Mulher levantam questões envolvendo o cenário local.

Dados do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) – ligado a Secretaria de Assistência Social de Umuarama – apontam que atualmente 100 mulheres vítimas de violências estão em atendimento na unidade.

Lá elas encontram orientação psicológica, jurídica e assistencial para se reconstruírem. Entretanto os números municipais devem ser maiores, uma vez que muitas mulheres não denunciam a violência.

Quando levamos para um cenário nacional, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que mais de 16 milhões de mulheres, cerca de 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência durante o ano de 2018. De acordo com a pesquisa, 536 mulheres são agredidas por hora no país, sendo que 177 sofrem espancamento.

Conforme o presidente do Conselho da Comunidade, Luiz Guilherme Meyer, a semana da mulher junto ao Carnaval reforça a necessidade de pensarmos as violências que as mulheres recebem diariamente.

“A comunidade de Umuarama está idealizando ações para levar para mulher que ela é um ser humano de força e garra. Desta forma com o conhecimento incentivar as mulheres a denunciarem as agressões, como também, fazer valer seus direitos”, disse.

AÇÕES

Segundo o Conselho Municipal de Umuarama, no dia 07 de março às 14 horas, por iniciativa do CRAM e da Secretaria Municipal de Assistência Social, Umuarama contará com uma palestra sobre o empoderamento feminino. O vento será realizada no anfiteatro da Prefeitura Municipal e toda a população está convidada.

No dia 09 de março, a partir das 08 horas, por iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, será realizado uma ação na Praça Arthur Tomas. O objetivo é levar inúmeros serviços parceiros para atender as mulheres, bem como esclarecer duvidas sobre a violência doméstica.

DADOS ASSOMBROSOS

A pesquisa do Instituto Datafolha ouviu 2.084 pessoas em 2018. Mais da metade (52%) das entrevistadas declarou que não procurou ajuda após as agressões; 15% falaram sobre o assunto com a família; 10% fizeram denúncia em delegacias da Mulher; 8% procuraram delegacias comuns; 8% procuraram a igreja e 5% ligaram para o telefone 190 da Polícia Militar.

A violência foi cometida, em 76,4% dos casos, por conhecidos, como cônjuge (23,9%), ex-cônjuge (15,2%), irmãos (4,9%), amigos (6,3%) e pais (7,2%).

Os números indicam que o grupo mais vulnerável está entre os 16 e os 24 anos, pois 66% das mulheres nessa faixa etária sofreram algum tipo de assédio. Na faixa dos 25 aos 34 anos, o índice é de 54% e, dos 35 aos 44 anos, de 33%.

O assédio, que, segundo a pesquisa, atingiu 37% das mulheres, aparece em forma de cantadas ou comentários desrespeitosos ao andar na rua (32%), cantadas ou comentários desrespeitosos no ambiente de trabalho (11,46%) e assédio físico no transporte público (7,78%).

SERVIÇOS MUNICIPAIS

O município de Umuarama conta com serviços para o fortalecimento feminino, bem como locais para as mulheres recorrerem caso sofra algum tipo de violência:

  • Delegacia da Mulher: Rua Japurá, 3358, Zona 1 (próximo ao Colégio Ilda Kamal). Telefone: 3639 6557;

  • Centro de Referência de Atendimento à Mulher: Rua Pinguim (esquina com a Rua Anhumaí), S/N, Praça Tamoio (Próximo ao Colégio José Balan e Escola Tempo Integral). Telefone: 3906 1101;

  • Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres: as reuniões acontecem na primeira terça-feira do mês (bimestralmente), na Secretaria Executiva dos Conselhos, situada na Avenida Castelo Branco, 3370, salas 5 e 6. Telefone: 3906 1092;

  • Qualquer órgão da política de assistência social e da política de saúde (UBSs);

  • Disque 180 para situações emergenciais.

OS CINCO TIPOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

  • Violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;

  • A violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

  • A violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

  • A violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

  • A violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.