Política

TSE

Conheça o perfil do eleitorado umuaramense para as eleições 2018

24/08/2018 15H56

Umuarama – Números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 32% dos eleitores de Umuarama desistiram dos estudos antes de concluírem o Ensino Médio (1º, 2º e 3º ano) e as mulheres hoje representam 54% do eleitorado. Os dados podem ser encontrados no site do TSE e são ferramentas importantes para os marketeiros das campanhas traçar estratégias buscando vender seus produtos políticos.
Com 76.375 mil eleitores aptos a irem às urnas no próximo dia 7 de outubro, os umuaramenses vão votar para eleger presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Já o número nacional são 147.302.357 eleitores distribuídos pelos 5.570 municípios do país, bem como em 171 localidades de 110 países no exterior.

Gênero e nome social

Segundo dados do Cadastro Eleitoral, a maior parte do eleitorado de Umuarama pertence ao gênero feminino. Ao todo, são 41.205 eleitoras, o que representa 53.95% do total. Já o gênero masculino reúne 35.170 cidadãos, representando 46,05% do eleitorado. Pela primeira vez, eleitores transexuais e travestis terão seu nome social impresso no título de eleitor e no caderno de votação das Eleições 2018. Nome social é aquele que designa o nome pelo qual transexuais ou travestis são socialmente reconhecidos. A possibilidade da autoidentificação foi aprovada pelo Plenário do TSE no dia 1º de março deste ano.

Faixa etária

De acordo com as estatísticas da Justiça Eleitoral, a faixa etária com o maior quantitativo de eleitores em Umuarama é a que reúne cidadãos entre 30 e 39 anos de idade. Eles somam 15.178.000 umuaramenses.

Grau de instrução

Dados referentes ao nível de instrução mostram que a maior parte do eleitorado não chegaram a completar o ensino médio. São 7.877 eleitores com o ensino médio incompleto, 16.614 fundamental incompleto, perante 21.177 que declaram médio completo e 13.075 com superior completo.

Estado Civil

As estatísticas também revelam que 49,3% dos eleitores estavam casados no momento do registro/atualização do cadastro eleitoral. Já 37,1% se declararam solteiros.

O retrato do eleitor

Conforme o sociólogo Rafael Egídio Leal e Silva, que também é professor do Instituto Federal do Paraná de Umuarama (IFPR), o Brasil tem uma política única e uma dinâmica difícil de se comprar com outros países. Trazendo as eleições 2018 para uma realidade municipal, o professor ressalta Umuarama como um município em uma posição estratégica e com status para ser uma cidade de médio para grande porte. “Esse desenvolvimento é impactado pelas escolhas politicas da população. Quando olha o perfil do eleitor umuaramense vemos uma baixa escolarização, em uma cidade que se vende como universitária. Isso reflete no desenvolvimento regional da cidade”, disse.
Na descrição do professor, que também é autor do livro “Politica Brasileiro – Como Entender o Funcionamento do Brasil” – o cenário nacional não foge o municipal. Os dados do TSE referentes ao nível de instrução mostram que a maior parte do eleitorado brasileiro possui ensino fundamental incompleto. São 38.063.892 eleitores que declararam ter essa escolaridade. Outros 33.676.853 eleitores afirmaram ter concluído, pelo menos, o ensino médio.
Com os dados em mãos, a política vem se profissionalizando e existem pesquisadores que estudam esses números para serem trabalhados nas campanhas visando a persuasão do público, que é o eleitor. “Conhecer o eleitor é fundamental, principalmente na política do toma lá da cá, que é o clientelismo. Pois, muitas vezes não precisa usar algumas práticas conhecidas para conseguir os votos dos eleitores, apenas uma visita no bairro já bastaria”, explicou Egídio.

O sociólogo Rafael Egídio Leal e Silva, que também é professor do Instituto Federal do Paraná de Umuarama (IFPR)

Cenário possível

Para exemplificar ao leitor do jornal Umuarama Ilustrado, o sociólogo retrata os eleitores entre classe baixa, média e alta, cada uma com seus interesses e desejos:

Classe Baixa

“As classes baixas são derivadas da classe escravizada e quando se acabou o tempo da escravidão foram para as periferias das cidades. Por isso se encontra nas periferias uma forma de vida diferente, muito mais cooperativa e de ajuda mútua, até o processo familiar é diferente e essas famílias aprenderam, que dependem dos políticos. O que vemos desde meados dos anos 80 é que essa classe aprendeu a ser estratégica e elege o político que vai dar o que ela precisa. Então quando olhamos para periferia, esse povo espera um assistencialismo (o clientelismo) pois num processo histórico e social, foi o que sobrou para ele e é o que ele tem. Essa classe vem se organizado em movimentos populares e estão conquistando. Um exemplo é o Conjunto Sonho Meu: é assistencialista, mas eles conseguiram. O povo da classe baixa não faz barulho ou alarde, pois eles sabem que as classes média e alta apontam o dedo para eles”, argumenta.

Classe média

“As pessoas dessa classe estão barulhentas nos últimos anos, pois foi a menos favorecida pelas políticas estatais e não estão contentes. A questão é que a classe média não é organizada e age conforme o interesse. Quando convêm, a classe média apoia os pobres ou os ricos, um exemplo: no governo Lula, se dava bolsa família (classe baixa) e Prouni, Minha Casa Minha Vida entre outros programas para classe média e ela estava quieta. Hoje vemos que quem se deu bem foi a classe baixa, então é momento de criticar quem está à margem e se aliar aos ricos”, explanou.

Classe Alta

“A classe alta não precisa se preocupar com o Estado brasileiro, pois o Estado é feito para ela. Quando se fala em saúde para todos e educação para todos a União começa a falhar. Vamos dar um exemplo: a saúde do Brasil é referência mundial no combate ao HIV e no tratamento ao soro positivo. Mas essa qualidade começa, quando nos anos 80 e 90 o vírus entra nas famílias da elite, que foram buscar ajuda no Estado e conseguiram um tratamento exemplar”, salientou o professor.