DIA DO MECÂNICO

No Brasil, o Dia do Mecânico foi comemorado neste sábado, 20 de dezembro, data que homenageia profissionais fundamentais para o funcionamento da sociedade. Em Umuarama, um desses nomes é o de Almir Souza, 63 anos, cuja história de vida se confunde com a própria evolução da mecânica automotiva na cidade.
Morador de Umuarama desde 1975, Almir chegou ao município ainda adolescente, aos 13 anos, acompanhado dos pais e irmãos. Antes disso, a família vivia na zona rural de Ivaté, onde trabalhava com lavoura de café. A atividade, no entanto, foi interrompida após a perda da plantação provocada pela “Geada Negra”, o que levou o pai a vender a propriedade e recomeçar a vida na cidade. “Foi um prejuízo enorme. Perdemos tudo”, relembra.
Como o sustento precisava vir de algum lugar, cada membro da família buscou um caminho. Ainda muito jovem, Almir começou a trabalhar vendendo sorvetes, engraxando sapatos e fazendo pequenos serviços. Mais tarde, passou por uma panificadora, onde atuou como ajudante no forno, e, por volta dos 20 anos, conquistou um emprego fixo no Expresso Maringá, empresa de transporte rodoviário, onde trabalhou por cerca de oito anos como agente de vendas de passagens.
Apesar da estabilidade, o trabalho não o realizava. Casado aos 24 anos com Izabel Oliveira, Almir decidiu mudar de rumo aos 28, quando deixou a empresa de ônibus e entrou de vez no ramo da mecânica. O início foi ao lado de um irmão, que já possuía uma oficina na antiga Marabá. Durante cinco anos, Almir aprendeu o ofício “de tudo um pouco”, até se sentir preparado para dar um passo maior.
Há cerca de 30 anos, ele abriu sua própria oficina, a Auto Center Paraíso, no mesmo endereço onde funciona até hoje, na avenida Celso García Cid, nº 3831 – Zona I.

No começo, o espaço era pequeno e o trabalho era feito por apenas três pessoas. Com o tempo, a oficina foi sendo ampliada, a estrutura cresceu e a clientela se multiplicou. “Deus abriu as portas”, resume.
Hoje, o Auto Center Paraíso é referência em Umuarama. A oficina conta com 14 funcionários, sendo cerca de oito mecânicos, e atende, em média, 40 veículos por dia, o que representa aproximadamente mil carros por mês. O local presta serviços gerais de mecânica automotiva, como injeção eletrônica, freios, suspensão, alinhamento e manutenção em veículos de passeio e caminhonetes.
Ao longo dessas três décadas, Almir acompanhou de perto a transformação dos veículos. Se antes o trabalho era feito “na marreta”, hoje depende de scanners, computadores e sistemas eletrônicos cada vez mais complexos. “Mudou demais. Hoje é tudo eletrônico. Se não estudar, não trabalha”, afirma. Segundo ele, a atualização constante é indispensável, com cursos frequentes para acompanhar a tecnologia embarcada nos veículos modernos.

Um dos grandes desafios atuais da profissão, segundo Almir, é a falta de mão de obra qualificada. “Está difícil encontrar gente para aprender. No futuro vai faltar profissional”, alerta. Para ele, muitos deixam a área por aposentadoria, doença ou outros motivos, sem que novos trabalhadores ocupem esses espaços.
Pai e filho
A oficina também é um negócio de família. Pai de dois filhos, Almir trabalha ao lado do filho Everson de Oliveira Souza, 37 anos, que está na oficina desde os oito. Everson começou fazendo serviços simples, como limpeza, e foi aprendendo a profissão com o pai. Hoje, atua como mecânico e gestor do negócio, exercendo a função de consultor técnico, responsável por diagnósticos e organização dos serviços. A esposa de Almir também sempre esteve presente, dando suporte à família e ao negócio.

Apaixonado pelo que faz, Almir não esconde o orgulho da profissão. “A mecânica é o que eu queria mesmo. Quando a gente faz o que gosta, não tem estresse”, diz. Para ele, o segredo para o futuro é simples: acompanhar a evolução. “Se estiver atualizado, não fica difícil. Se não estiver, não consegue nem abrir o capô do carro, finalizou.”
