TRADIÇÃO RELIGIOSA

Manter tradições religiosas passadas de geração em geração é o compromisso dos integrantes da Companhia de Santo Reis Silvério do Carmo, que este ano completa 65 anos. Fundada em Cruzeiro do Oeste pelos devotos Antonio do Carmo e Sebastiana Silvério em 1962 a Companhia ano a ano celebra com a bandeira do divino, a anunciação do nascimento do Menino Deus.
São 12 dias de peregrinação realizando o trajeto dos três Reis Magos, que saíram em procissão, seguindo a estrela para chegar até o Menino Jesus. A peregrinação começa no dia 12 de dezembro e termina no dia 06 de janeiro, quando se celebra a Folia do Senhor com uma grande festa popular religiosa que serve almoço com alimentos arrecadados durante a passagem da Bandeira. Esse ano o festejo contou com a participação de mais de 600 pessoas, em Cruzeiro do Oeste.
Esse ano a Bandeira passou por Cruzeiro, na Vila Rural do Município e no distrito de Cafeeiros; Umuarama (10 bairros); Esperança Nova; Altônia e no distrito de São João e Maria Helena. Por onde passaram e encontraram um presépio, realizaram a cantoria que caracteriza a companhia.

Tradição
A Companhia de Santo Reis Silvério do Carmo é uma das últimas do Paraná que continua a tradição o que tem levado a convites para participar de celebrações em todo o Estado e em outras partes do Brasil. Neste fim de semana ela se apresenta no litoral do Paraná. Neste sábado (24), a apresentação foi nas igreja de São Benedito dos Pretos, em Paranaguá; de Ipánema de Santa Cruz e de Nossa Senhora dos Navegantes, em Pontal do Paraná e no domingo (25) na procissão de São Sebastião, em Morretes.
Segundo um dos responsáveis pela Companhia, o professor de sociologia Allan Carlos Ramos de Oliveira, convites já vieram de Juazeiro, em Pernambuco; de Bom Jesus da Lapa, na Bahia; da Basílica de Aparecida do Norte e da Igreja de São Sebastião de Guanabara, no Rio de Janeiro. Allan conta que a grande dificuldade é o custo para as viagens, o que acaba dificultando. “Os integrantes que arcam com os custos. Para essa ida ao litoral, contamos com a colaboração da secretária de Educação e Cultura de Cruzeiro, da Jaqueline Pacheco, que nos conseguiu o ônibus”, contou Allan.
Allan é neto de Antonio do Carmo, um dos fundadores da Companhia Silvério Reis e ao lado de Adriano José Silvério, bisneto da outra fundadora, Sebastiana Silvério, mantém a tradição. “Nós nascemos dentro da Companhia. Um natal sem sair com a bandeira não é natal para nós”, explicou Allan, que descende de uma família que há mais de 200 anos participa da festa da Folia do Senhor.

A Bandeira
A Bandeira é o símbolo maior de uma companhia. Sempre ostenta as cores branca e azul de Nossa Senhora e tem um rito universal. Uma vez que passou, não volta para trás. Segue apenas em frente. É sempre apresentada pelo embaixador e guardada pelos dois bastiões e acompanhada pelos três anjinhos e pelos cantadores, que seguem cantando hinos de louvores. Por onde passa, os devotos podem colocar fitas para pedir ou agradecer por graças recebidas. As cores das fitas tem uma simbologia própria.
A laranja é para desatar nós e ostenta as cores de Nossa Senhora Desatadora de Nós; a amarela é a representação do ouro e remete a Nossa Senhora Aparecida; O azul celeste é para pedidos urgentes e destinado a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o azul claro, em agradecimento a graças recebidas e ostenta as cores de Nossa Senhora das Graças. O branco é a cor universal e destinada a saúde.
Como começou
A Companhia de Santo Reis Silvério do Carmo foi criada a partir de uma promessa feita por dona Sebastiana Silvério. No fim da década de 1950, ela, o marido e os filhos se aventuraram em Goiás, movidos pela construção de Brasília. A empreita não deu certo, e somente Sebastiana e um dos filhos não adoeceu.
Em desespero, teria ido rezar embaixo de uma mangueira quando avistou uma companhia com a bandeira do Senhor passando e ali fez a promessa de seguir a Bandeira por sete anos se conseguisse uma pessoa que a ajudasse a voltar para o Paraná. A promessa foi em 1961 e no ano seguinte, conseguiu voltar para Cruzeiro.
Ali, contou sua promessa ao compadre Antonio do Carmo, que já descendia de família devota do Santo Reis, desde Minas Gerais e juntos fundaram a Companhia de Santo Reis Silvério do Carmo. Os dois já são falecidos, mas a semente da fé religiosa foi passada aos descendentes que mantém a tradição. “Se eu morrer hoje, sei que a companhia vai continuar”, encerrou Allan.