6ª REGIONAL DE UMUARAMA

Na porta de entrada do Complexo Social da Polícia Penal (PPPR), em Umuarama, o movimento é constante. Pessoas chegam em silêncio, algumas cabisbaixas, outras com um olhar de quem busca uma nova oportunidade. O destino delas passa por ali – e, para muitas, é nesse espaço que começa a oportunidade de reconstruir a vida.
Abrangendo Escritórios Sociais, Patronato Penitenciário, Central Integrada de Alternativas Penais (CIAP) e Núcleos de Atendimento a Pessoas Monitoradas (NUPEM), o Complexo Social constitui unidades pertencentes à PPPR que compõem equipes de apoio ao egresso e de acompanhamento a pessoas em cumprimento de penas privativas de liberdade em meio aberto, semiaberto harmonizado com tornozeleira eletrônica e alternativas penais, atendendo mais de 18 mil monitorados e 6 mil pessoas em cumprimento de penas alternativas.
Desde 2020, a unidade de Umuarama tem apostado em uma rede de projetos que vão muito além do cumprimento de pena. O objetivo é claro: ressocializar, capacitar e devolver à sociedade pessoas melhores do que chegaram. “Através do Complexo Social, podemos oferecer o suporte necessário para que, egressos e monitorados tenham maiores possibilidades de reintegração social, visando o fortalecimento de vínculos familiares, regularização de documentos pessoais, educação, profissionalização e retorno ao mercado de trabalho, refletindo diretamente na redução da reincidência criminal”, afirma o Coordenador Regional da Polícia Penal em Umuarama, Arnobe Lemes dos Reis.
A coordenadora do Complexo Social na regional, a assistente social Gisely Medina, responsável por 16 comarcas, entre elas Umuarama, Cruzeiro do Oeste, Cianorte e Guaíra, afirma que o objetivo é transformar a pessoa atendida pelos projetos. “Nossa meta inegociável é melhorar essa pessoa. Que ela saia melhor, e não pior”, afirma Gisely, que acompanha de perto a transformação de centenas de vidas todos os meses.
Projetos que provocam reflexão e mudança
As atividades da CIAP (Central Integrada de Alternativas Penais) são direcionados para três modalidades principais:
Em breve, um novo programa voltado à violência no trânsito será iniciado no Complexo Social de Umuarama, reforçando a missão de atuar em áreas que impactam diretamente a vida em comunidade.
Para Rodrigo Fávaro, Coordenador dos Complexos Sociais da Polícia Penal no Estado, eles atuam como agentes de transformação. “Mais do que fiscalizar o cumprimento das medidas judiciais impostas, a CIAP e o NUPEM desenvolvem ações voltadas à inserção social, fundamentadas nos princípios da responsabilização e da cidadania. Os municípios de Umuarama e Cruzeiro do Oeste destacam-se como exemplos expressivos na implementação de políticas penais inovadoras, alinhadas à redução do superencarceramento e ao enfrentamento da reincidência prisional”, afirma.

Ressocialização que vai além da pena
O Complexo também promove atividades que despertam talentos e novas perspectivas, como rodas de leitura e oficinas de pintura em tela. O objetivo é simples, mas poderoso: estimular o olhar para fora da criminalidade e despertar interesse por educação e trabalho.
E não são apenas os apenados que recebem apoio. Muitas vezes, famílias inteiras são envolvidas nos atendimentos, com encaminhamentos para assistência social, cursos profissionalizantes, projetos como o “Virando o Jogo”, projeto Metamorfose com as mulheres, grupos reflexivos com temas relacionados ao calendário da saúde (Agosto Lilás, Setembro Amarelo, Outubro Rosa, Novembro Azul e outros) e até oportunidades de emprego. Casos de extrema pobreza, desemprego ou falta de escolaridade não passam despercebidos pela rede de apoio.
Vale ressaltar que todos os projetos dão direito a remição de pena para monitorados e cumprimento de pena para alternativas penais.
Números que impressionam
Só em agosto foram realizados 1569 atendimentos nas centrais de alternativas penais entre os três complexos sociais. Já no Núcleo de Apoio à Pessoa Monitorada (Nupem) ocorreram aproximadamente 6.800 atendimentos e ações junto aos monitorados e familiares.
Essa preparação começa ainda dentro das penitenciárias. Seis meses antes da progressão de regime, profissionais levantam informações sobre documentos, família e perspectivas de vida, preparando o egresso para uma reintegração digna.
Além disso, mais de 1.400 pré-egressos e egressos receberam acolhimento, orientações e encaminhamentos às políticas públicas ofertadas pela regional.

Parcerias
O sucesso desse trabalho só é possível graças a uma ampla rede de parcerias que inclui universidades, Ministério Público, Poder Judiciário, Defensoria Pública, Conselho da Comunidade, empresas privadas, Agência do Trabalhador (Sine), Senar, Senac e secretarias municipais. Essas instituições garantem desde cursos de capacitação até vagas no mercado formal de trabalho, acompanhadas de perto pela equipe do Complexo.
Para Gisely, a palavra que define esse esforço é “justiça restaurativa”. “Nosso foco é transformar erros em oportunidades de mudança. A sociedade também ganha quando investimos em ressocialização”, resume.
“Colocamos 100% dos monitorados no mercado de trabalho através das empresas privadas e convênios municipais para todos que nos procuram com desejo de serem inseridos no mercado”, conclui.
Mais do que números, histórias de vida
A cada encontro, novas histórias surgem. Pessoas que chegaram ao Complexo como infratores e saíram como trabalhadores, pais de família, cidadãos que entenderam que o caminho da criminalidade não compensa.
Os Complexos Sociais provam que cumprimento de pena e ressocialização podem caminhar juntos. E que, quando há investimento em apoio social, capacitação e humanidade, a chance de recomeço deixa de ser apenas uma promessa e se torna realidade.