Entrevista

Umuaramense de nascimento, o empresário e atual prefeito Hermes Pimentel já está pensando como será a Capital da Amizade em 2050. “Como empreendedor, não tenho medo de arriscar e penso em Umuarama para o futuro. Temos que fazer agora para daqui a 28 anos”, afirmou durante entrevista ao Jornal Umuarama Ilustrado, concedida nesta semana, na sede da empresa.
O encontrou ainda contou com a participação do deputado estadual Delegado Fernando Martins e do diretor do Grupo Ilustrado de Comunicação, o jornalista Ilídio Coelho Sobrinho.
Pimentel acredita que a cidade deve ter obras projetadas para o futuro, apostando no aumento populacional advindo do crescimento econômico. Umuarama é polo de compras e de prestação de serviços para mais de 20 municípios vizinhos e também é onde empresas de grande porte tem aterrizado nos últimos anos.
A frente do executivo municipal há pouco mais de sete meses, Pimentel já conseguiu que a tão sonhada linha aérea comercial se tornasse realidade e agora trabalha para liberar o aeroporto local para receber aeronaves de maior porte, facilitando ainda mais o deslocamento daqui até a Capital do Estado.

Quando o assunto é mobilidade urbana, Umuarama sustenta alguns ‘gargalos’ difíceis de resolver. Um dois maiores é o acesso para o já chamado ‘novo centro’, onde estão instalados o Shopping Palladium, a rodoviária, universidade UniAlfa, escola e o hospital Uopeccan, sem contar uma gama enorme de condomínios e bairros construídos no entorno desses empreendimentos, tornando o fluxo de veículos complicados, principalmente nos momentos considerados de pico.
A região também conta com tráfego de veículos pesados que usam a rodovia Moacir Loures para acessar a avenida Portugal e chegar até a saída para o distrito de Serra dos Dourados, sentido Mato Grosso do Sul e também a PR-323, tanto para quem segue para Maringá ou Guaíra.
A avenida Paraná, principal via de acesso, é estreita e com poucas possibilidades de ampliação das pistas pela falta de ‘espaço’ nas laterais. Pimentel salienta que está buscando alternativas e citou um estudo recente que prevê que as avenidas Paraná e Portugal tenham mão única, com cada uma fazendo o papel de ‘só de ida’ e ‘só de volta’.
“Não gosto dessa ideia. O que devemos fazer realmente é retirar árvores e a iluminação pública que fica no canteiro central. Com isso devemos conseguir mais meio metro em cada pista”, afirmou. O trecho a ser ampliado corresponde ao da Praça Miguel Rossafa até o acesso ao shopping.

Há outras alternativas em estudo, como a ampliação do prolongamento da rua Belém (abaixo do Harmonia Clube de Campo), inclusive com uma ponte sobre o Lago Aratimbó, para acessar o condomínio Portal das Águas e bairros adjacentes.
Atualmente a via é estreita, o que dificulta o fluxo do trânsito. A abertura de parte da avenida Olinda, até as proximidades de uma escola particular, localizada na avenida Paraná, é outra medida em estudo.
Pimentel ainda lembrou da avenida Malta, que liga a rodovia Moacir Loures Pacheco entre os bairros Parque Bonfim e Parque Dom Bosco. Entregue no ano passado, a avenida conta com algumas quadras no sentido bairro-rodovia que simplesmente não existe. Nem asfalto e nem o traçado.
O prefeito herdou o problema e afirmou que já está trabalhando para solucionar o imbróglio pendente com os proprietários da área. “Vamos resolver para podermos pavimentar toda a via”. Na região ainda está prevista a instalação de um novo Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), uma Unidade Básica de Saúde e também a sede própria do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron).
Ainda tratando de mobilidade, o prefeito Hermes Pimentel confirmou a construção de um contorno com cerca de 6 km e uma ponte, entre as estradas Pavão (saída para Xambrê) e Beija-Flor (PR-323), o que vai permitir a transferência do fluxo de veículos pesados que hoje passam entre as avenidas Ivo Sooma e Angelo Moreira da Fonseca, para ter acesso a PR-323.

As ‘chacrinhas urbanas’, que viraram febre nos últimos anos em Umuarama, também se tornaram um pesadelo, tanto para quem compra, como para a administração pública. Legalmente, há uma lei federal que estipula que uma propriedade rural teve ter no mínimo 20 mil metros quadrados.
Na prática, elas existem com tamanhos variáveis, com espaços que normalmente variam entre 5 mil m² e 2,5 mil m², o que impede a lavratura da escritura em favor de quem compra e impede o acesso a serviços como água e energia, fornecidos pelas prestadoras de serviço.
Para tentar amenizar a situação, recentemente Pimentel conseguiu a aprovação pela Câmara Municipal de uma lei que obriga proprietários rurais e incorporadoras a abrirem novos loteamentos rurais com toda a infraestrutura, como água, luz, esgoto e asfalto. “Mas temos na cidade 8 mil chácaras irregulares, que não há o que fazer. Não tem como legalizar”, explicou o administrador.
Considerado um ‘calcanhar de Aquiles’ pelos administradores públicos, o estacionamento rotativo deve voltar a funcionar de forma efetiva no primeiro trimestre de 2023. A intenção é que toda a gestão seja feita diretamente pelo Município, sem a contratação de prestadores de serviço.
Esta semana começaram testes de um sistema que consegue identificar se um veículo foi removido ou não de uma vaga.
“O agente de trânsito passa de moto e fotografa a placa do veículo. Quando ele passar novamente, 30 ou 40 minutos depois, vai fotografar novamente a placa e será possível identificar se o veículo foi removido do local ou não. Estamos em testes e vamos analisar a viabilidade para implantar”, explicou Pimentel. Até lá, a quantidade de vagas de curta duração (as faixas verdes), deve ser intensificada.
Em algumas pastas, apenas mudanças simples, já começam a surtir efeitos na melhoria ao atendimento a população. Um exemplo é o salto da 397ª colocação para a primeira entre todos os municípios do Paraná no atendimento da saúde, através da Atenção Primária.
“Contratamos mais 18 atendentes para agilizar o atendimento nos postos de saúde e estamos usando recursos do Previne Brasil, que é rateado entre os servidores da saúde. É um incentivo para que atendam a cada cidadão que chegue até uma UBS como se estivessem cuidado da própria mãe, com todo o carinho e atenção”, exemplificou. São quase R$ 400 mil mensais usados nas 23 unidades básicas de saúde do Município.