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Tenso

Com medo, servidores da delegacia de Umuarama pedem segurança para trabalhar

08/10/2019 09H02

frustrada tentativa de fuga da cadeia de umuarama

No último mês o medo entrou na rotina de trabalho dos servidores lotados na sede da 7ª Sub Divisão Policial (SDP) de Umuarama. A situação ficou mais tensa na última quinta-feira (3), quando foi apreendido cerca de 1,4 kg de explosivo dentro da cadeia local. Essa foi a segunda apreensão de banana de dinamite ocorrida no intervalo de 14 dias.

No documento destinado inicialmente ao delegado-chefe da 7ª SDP, Osnildo Carneiro Lemes e que está sendo assinado por todos os servidores e estagiários, o pedido é uma solução para que se tenha condições de trabalho em um ambiente seguro, que garanta a integridade física e emocional. Uma comissão para tratar do assunto formado por servidores também está sendo organizada.

TENSÃO

De acordo com Lemes, o clima de tensão ficou mais perceptível após a segunda banana de dinamite ser encontrada. “Os especialistas do Bope disseram que aquela quantidade era suficiente para explodir todo o prédio. Como posso garantir a segurança dos servidores assim?”, questionou.

COMPLEXO

O complexo da 7ª SDP abriga além da delegacia, o Instituto de Identificação, Instituto de Criminalística e o Instituto Médico Legal (IML) que circundam a área destinada a cadeia pública, que fica bem no centro de toda a estrutura. E há uma ligação interna entre o prédio que abriga os detentos e a delegacia.

Se há uma explosão voltada para um lado, atinge os prédios do IML, Criminalística e Identificação. Se for voltada para o outro lado pega toda a parte administrativa da delegacia”, salientou o delegado-chefe.

MULHERES

Lemes lembrou que dos 12 escrivães lotados em Umuarama, nove são mulheres e uma delas está grávida, além de estagiárias, peritas, agentes, entre outras profissionais femininas que atuam no local. “Sabemos que a insegurança está geral, mas as mulheres por natureza são mais sensíveis e elas têm razão. Isso aqui agora literalmente virou um barril de pólvora”, salientou o delegado.

Ele defende o fechamento imediato da cadeia local e a distribuição dos presos em presídios do Estado. “Se for 20 para cada presídio, por exemplo, já é suficiente para esvaziar aqui e desativar”, contou.

Servidores que preferiram não se identificar confirmam o medo. “Todos temos família, filhos, uma vida e queremos viver. Não sabemos qual será a solução, mas precisamos trabalhar com segurança”, salientou um dos servidores.

EXPLOSIVOS

Nos últimos três anos houveram três episódios envolvendo dinamite na cadeia local. Em 2016 um explosivo foi detonado, abrindo um rombo em uma das paredes de uma das galerias e provocando estragos também no prédio do IML, pelo impacto de estilhaços e tijolos.

No dia 19 de setembro os presos entregaram aos agentes do Departamento Penitenciário (Depen) uma banana de dinamite com cerca de 600 gramas. O explosivo foi destruído por uma equipe do Bope de Curitiba. Houveram transferências para penitenciárias.

Desta vez a equipe de elite da Polícia Militar voltou para Umuarama e recolheu o artefato, levado para Curitiba. O trabalho agora é para identificar onde esse explosivo foi adquirido e como entrou dentro da cadeia local. Um inquérito já está aberto, mas até o momento pouco avançou.

OUTRO LADO

O Jornal Umuarama Ilustrado entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública questionando se haverão providências emergenciais com relação a cadeia local. Até o fechamento da edição não houve retorno.