Consciência Negra

O Colégio Pedro II realizou, na manhã desta quarta-feira (19), uma ampla apresentação cultural e uma exposição dedicada ao Dia da Consciência Negra, celebrado nacionalmente em 20 de novembro. A iniciativa reuniu cartazes, trabalhos artísticos, resenhas, estátuas africanas e apresentações de dança, poesia e capoeira, envolvendo turmas do Ensino Fundamental e Médio.

O evento é parte de um projeto contínuo, desenvolvido ao longo de todo o ano letivo pelo professor de História e Geografia Edson Pompilio da Silva, que há mais de três décadas dedica sua atuação à educação antirracista. Segundo ele, a proposta vai muito além de uma atividade pontual.
“A consciência negra não acontece apenas no dia 20 de novembro. Ela precisa ser trabalhada todos os dias, em todas as disciplinas”, afirmou o professor. Para Edson, a escola tem papel essencial na formação cidadã e na construção de uma sociedade mais justa. “A sociedade brasileira é formada por negros, indígenas e europeus. Como deixar de trabalhar essa metodologia diariamente, se a maioria da nossa população é negra?”, questionou.

Projeto permanente e participação ativa dos alunos
O professor explica que o projeto começou ainda em fevereiro e vem sendo ampliado mês a mês. Durante todo o ano, os alunos pesquisam, escrevem, produzem cartazes e exploram elementos culturais afro-brasileiros e indígenas. As obras expostas nesta quarta-feira foram produzidas exclusivamente pelos estudantes.

Entre os materiais exibidos, chamaram atenção estátuas africanas vindas do Zimbábue, cedidas por empresários que acompanham o trabalho desenvolvido pelo professor. “Todos os anos utilizo essas peças para aproximar os alunos da história e da estética africana. Eles ficam encantados”, contou.

Além da exposição, a programação incluiu apresentações de dança, poesia, versos, atividades agrícolas simbólicas – como engenho, cana e coco – e demonstrações de capoeira. “Não é uma festa”, destaca Edson. “É um encontro para lembrar a importância do povo negro para a sociedade brasileira e combater visões pejorativas que ainda persistem.”

Transformação dentro da sala de aula
Com 35 anos de magistério, Edson relata que as atividades têm impacto direto no comportamento dos alunos. “Já vi estudantes mudarem completamente a maneira de pensar. Quando entendem o valor histórico do povo negro, passam a trazer ideias e pesquisas espontaneamente. É no chão da escola que a transformação acontece.”

O professor também leva o projeto para outras instituições. Neste ano, desenvolveu atividades semelhantes em mais duas escolas, incluindo o Colégio Tiradentes. “Sempre sou convidado, porque os alunos participam com envolvimento e passam a refletir sobre sua própria identidade e sobre a sociedade”, disse.

A exposição desta quarta-feira marcou o encerramento das atividades de 2025 relacionadas ao tema, mas, como reforça o professor: “Esse pensamento não pode morrer. Deve ser renovado todos os dias.”

DIREÇÃO COMPROMETIDA
A diretora auxiliar do Colégio Pedro II, Sueli Aparecida Martins Cordeiro, destacou a relevância da data e o compromisso pedagógico da instituição. “O Dia da Consciência Negra é um momento fundamental para refletirmos sobre a luta contra o racismo e a desigualdade racial”, afirmou. Segundo ela, a escola entende que a educação é um direito essencial e deve oferecer oportunidades iguais de aprendizagem para todos. “Sabemos que a desigualdade racial ainda é uma realidade e é nosso papel trabalhar esse tema com seriedade para superá-la.”
