Saúde

O cigarro eletrônico, também chamado de vape ou pod, mesmo sendo proibido pode ser encontrado com facilidade em comércios de Umuarama, como as tabacarias. O dispositivo chegou com um apelo da propaganda de ajudar eliminar o vício do tabagismo, porém vem mostrando sua face e que segundo médicos, é até mais prejudicial para o organismo humano.
Conforme o pneumologista de Umuarama, Renato Ricci Kauffmann, o cigarro eletrônico apareceu com uma promessa da indústria do tabaco de ajudar a reduzir o vício do tabagismo, porém o que está sendo observado são pessoas começando a fumar mais cedo e apresentarem problemas de saúde mais jovens. “O dispositivo é apelativo, com sabores, luzes, fumaças e cores. Ele vem com uma propaganda que é menos prejudicial e observamos adolescente e até crianças fumando, sendo que muitos acompanhados dos pais”, disse.

Mesmo com o apelo de ser menos prejudicial, alguns consumidores do cigarro eletrônico estão apresentando problemas crônicos de saúde. Segundo Kauffmann entre os perigos de ingerir o vapor dos vapes esta a essência. “Com ingestão das essências, foi identificada uma doença pulmonar chamada Evali. O paciente fica com todo tecido pulmonar acometido, promovendo uma grande sequela. Isso pode levar a incapacidade pulmonar permanente, ou seja, vai precisar de oxigênio para o resto da vida e em alguns casos transplantes”, alertou.

O médico ainda explicou que esses aparelhos produzem partículas ultrafinas. Essas partículas conseguem ultrapassar a barreira dos alvéolos do pulmão e caem na corrente sanguínea, provocando inflamação. “Quando essa inflamação ocorre no endotélio, que é a camada que reveste internamente o vaso, pode dar início a eventos cardiovasculares agudos, como o infarto e a síndrome coronariana aguda, a angina do peito”, informou.
Dentro dos estudos ao longo dos anos relacionados com o tabagismo, Renato Kauffmann ressalta que o consumidor do cigarro convencional geralmente começa apresentar doenças como a pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) com 20 a 30 anos de tabagismo. “Já o cigarro eletrônico, esse tempo está sendo reduzindo e temos paciente com 30 a 35 anos de idade com DPOC”, noticiou.
Adolescentes são alvos das fabricantes de cigarros eletrônicos. O design dos aparelhos e as essências oferecidas são pistas de que, apesar de indicarem o produto apenas a adultos, buscam chamar a atenção de jovens. A adoção de sabores mais infantis, a aplicação de cores na fumaça e até mesmo o designde alguns modelos não são atraentes ao público adulto.
A semelhança do aparelho com itens de uso diário de um estudante, como canetas ou pen drives também é um apelo.
Paulo César Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), destacou que esses produtos são apresentados com slogans que tratam o cigarro convencional como ultrapassado e nocivo. A ideia é afastar essa má publicidade dos cigarros eletrônicos. Segundo ele, existem evidências de que há três vezes mais chances de pessoas que nunca fumaram passarem a fumar regularmente cigarros convencionais depois de usarem esses aparelhos.
Corrêa também alertou sobre a estratégia da indústria de cigarros eletrônicos em vender uma informação de que esse tipo de produto é menos nocivo que o cigarro convencional e que, portanto, trocar para os cigarros eletrônicos seria uma alternativa mais saudável. Ele, no entanto, alerta: cigarros eletrônicos não são apenas feitos de vapor e água.
Adolescentes entrevistados por pesquisa nacional dizem que o consumo é comum entre grupos de estudantes, principalmente do ensino médio, nos banheiros, no fundo da sala de aula ou nas quadras. Os jovens enviam mensagens de celular uns aos outros para marcar encontros em áreas mais reservadas das escolas, onde fumam juntos. O uso também ocorre fora do colégio, na saída da aula ou no intervalo entre os turnos. Os estudantes fazem ainda vaquinhas para comprar cigarros eletrônicos.
Em alguns casos, os jovens já conhecem os riscos da substância, mas usam como forma de pertencer ao grupo ou como válvula de escape para questões emocionais. Em outros, se surpreendem com a informação de que pode ser cancerígeno, viciante e causar danos aos pulmões. O cigarro eletrônico é um problema crônico em outros países, como os Estados Unidos. No Brasil, ganhou força mais recentemente.
O cigarro eletrônico também chamado de vape ou pod, o dispositivo é tragado pela boca e cria uma fumaça branca e sem cheiro ou com um cheiro que se dissipa rapidamente no ar. Os dispositivos funcionam por meio de uma bateria que esquenta um líquido interno (uma mistura de água, aromatizante alimentar, nicotina, propilenoglicol e glicerina vegetal). Um vape pode custar de R$ 60 a R$ 680 e apesar de proibidos no Brasil, cigarros eletrônicos são facilmente encontrados em tabacarias, lojas de conveniência, lojas de artigos do Paraguai e redes sociais. Os aparelhos são alimentados por bateria de lítio e um cartucho ou refil, que armazena o líquido. Esse aparelho tem um atomizador, que aquece e vaporiza a nicotina. Os cigarros eletrônicos estão em sua quarta geração, onde é encontrada concentração maior de substâncias tóxicas.