Umuarama

Magrela em foco

Ciclistas contam os desafios e as aventuras sobre duas rodas nas estradas da região

17/02/2021 16H52

O casal Paulo e Sidinéia Bagão, no momento em que chegaram ao trevo de Naviraí (MS), em 22 de novembro do ano passado (arquivo pessoal)

A maior parte das pessoas aprende a andar de bicicleta na infância e a medida que envelhece, vai trocando a ‘magrela’ por uma moto ou um carro e ela vai ficando esquecida. Há cerca de um ano o casal Paulo e Sidinéia Bagão, morador de Altônia, tirou a poeira das bikes e colocou literalmente o pé na estrada.

Trajetos

Juntos já percorreram mais de 9 mil quilômetros pelas estradas da nossa região. O trajeto mais longo foi de 302 km, entre Altônia e o trevo de Naviraí, no vizinho Mato Grosso do Sul. “Fazemos bate e volta. Paramos apenas para tomar água e comer. Não ficamos em hotel para fazer essa distância”, relata o professor de História Paulo Bagão, que aos 62 anos incentiva a todos a praticar o ciclismo.

E o casal já passou algumas vezes também por Umuarama (foto arquivo pessoal)

Superando limites

“É um exercício completo, nos fortalece e perdemos peso. Meu joelho vivia com problemas, hoje está fortalecido e acabou as dores. Minha esposa chegou ao peso que sempre quis andando de bicicleta. O ideal é começar devagar e ir aumentando os percursos de acordo com a sua capacidade. Vai forçar? Vai. Vai cansar? Vai. Mas se fosse para não se esforçar eu iria de moto e não de bicicleta”, afirma entre risos o ciclista, dizendo que todos podem se desafiar e que não é necessário bicicletas de ‘ponta’ e caras. “As nossas são bikes de entrada, mas baratas e pesadas. São 15 quilos cada”, complementou.

O preparo físico

Ele salientou ainda que o preparo físico para enfrentar os mais de 100 km que fazem quasse diariamente foi obtido com alimentação equilibrada e academia para ajudar no preparo físico e do fôlego. “Mas o meu recado é que todos podem fazer, independente da idade. Só tem que ter vontade e não desistir”, disse o entrevistado.

O percurso já foi além fronteira, até Salto del Guayrá, no Paraguai (foto arquivo pessoal)

Percursos e cuidados

Os percursos escolhidos são sempre por estradas asfaltadas, independente de terem acostamento na via ou não. “Por isso mesmo tomamos todos os cuidados para prevenir acidentes”. As bicicletas Caloi Vulcan dele e da esposa, a funcionária pública Sidinéia Bagão, são revisadas constantemente pelo próprio Paulo e contam com todas as sinalizações necessárias para garantir que os motoristas os visualizem, além do uso de roupas apropriadas que são refletivas. “Temos até o retrovisor que acompanhamos o tempo todo para vermos o comportamento do motorista”, ressaltou o professor.

Um das vantagens dos passeios é conhecer as belezas naturais da região

Esses cuidados e sair sempre de madrugada para evitar o sol forte e o trânsito pesado faz com que o casal consiga pedalar diariamente. “Durante a semana os percursos são menores, mas nos fins de semana conseguimos fazer distâncias maiores”, afirmou. E tudo é mantido na ponta do lápis. O casal mantém anotado as datas e os percursos realizados e agora estão planejando um que chegue a 360 km. “Por causa da pandemia ainda não definimos a data, pois por causa da distância teremos que usar hotel para dormir e neste momento é mais complicado”, explicou Paulo Bagão.