Umuarama

INFORME UEM AGRÍCOLA

CHIA UMA OPÇÃO DE CULTIVO E DE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

20/09/2020 09H26

Jaqueline Calzavara Bordin Rodrigues

Professora do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Campus de Umuarama

Em dia de grande agitação, agendas cada vez mais lotadas de compromissos e tempo escasso, muita coisa é deixada de lado para se cumprir as metas e objetivos propostos. Uma dessas coisas é a alimentação saudável e equilibrada, mas o que se esquece também é que para manter o corpo e as funções do organismo é necessária uma alimentação balanceada.

Alimentação essa que deve ser rica em fibras, nutrientes e vitaminas, ou seja, que forneça condições para um bom funcionamento do corpo. Uma alternativa que vem sendo incorporada na alimentação é as sementes de chia que apresenta em sua composição proteínas, lipídeos como ômega-3 e 6, carboidratos, fibras dietéticas que auxilia na função intestinal, minerais como cálcio, fósforo, magnésio e potássio além de fornecer vitaminas. Quando as sementes entram em contato com a água ou óleo, formam um gel transparente mucilaginoso, que pode ser uma boa opção para a substituição do ovo.

Sendo interessante destacar, estas sementes possuem baixo teor de sódio e não conter glúten o que permite que pessoas com pressão arterial elevada ou intolerante ao glúten possam se alimentar da semente. E que desde a antiguidade a chia já era consumida para satisfazer suas necessidades nutricionais, principalmente durante as batalhas e as longas expedições. A indústria alimentícia utiliza as sementes de chia ou seu óleo para diversos fins, consumido inteiro ou na forma de farinha, in natura, adicionado a outros alimentos, cereais matinais, barras energéticas, biscoitos, sucos, bolos, iogurtes, saladas de fruta e barras de granola.

A chia (Salvia hispanica L.) pertencente à familia Lamiacea, sendo interessante que nesta família também são encontradas espécies como a hortelã, tomilho, alecrim e orégano. É originaria das regiões montanhosas do oeste, centro e sul do México até o norte da Guatemala, se adaptação a regiões de climas tropicais e subtropicais o que se torna um fator promissor para a região do noroeste do Paraná, por apresentar clima subtropical.

Esta planta pode chegar a uma altura de 1 a 2 m, com flores de coloração roxa ou branca que dão origem as sementes com casca suave, brilhante e crocante, apresentam diferentes cores, que variam do preto, marrom, cinza e branco. Apresenta tolerância à seca, melhor desenvolvimento em solos arenosos, bem drenados, está planta vêm sendo cultivada com espaçamento de 0,40 a 0,70 m dependendo do país de cultivo e a distância entre plantas é de 5 a 6 cm. Em condições de plantio com baixa população de plantas, a chia aumenta a quantidade de ramificações para compensar, sendo considerada de grande valia esta característica para elevar o rendimento. É uma espécie considerada rústica, pode ser cultivada em sucessão a outras plantas, como o feijão carioca.

Em média a produção chega entre os 500 e 600 kg ha-1, mas nestes locais os produtores estão chegando a produzir em torno de 1.000 e 1.260 kg ha-1 com a implementação da irrigação e adubação nitrogenada, foram registrados rendimentos de 2.500 kg ha-1. A chia é cultivada em países como a Espanha, Colômbia, Bolívia, Austrália, Guatemala, Paraguai, Nicarágua, Sudeste da Ásia, algumas regiões do Caribe, Peru, Argentina, México, Equador e Regiões do Oeste do estado do Paraná e Noroeste do Rio Grande do Sul que estão alcançando rendimentos entre os 200 e 800 kg ha-1.

Em estudos no município de Umuarama, na região Noroeste do estado do Paraná, que em experimentos com a planta, foi obtido cerca de 1.115 kg ha-1, apresentando boa adaptabilidade ao solo e ao clima da região noroeste do Paraná. A pesar de não se ter muitas informações em relação a sua necessidade nutricional e se ter relatos de uma cultivar Oruro© lançada na França, a chia a cada ano ganha espaço no consumo, comercio e nas lavouras.