CASO VANESSA

O Ministério Público do Paraná não vai recorrer da sentença que condenou na madrugada da última quinta-feira (12) o ex-policial penal Carlos Adriano Botelho de Assis a 19 anos de prisão pelo assassinato da ex-namorada, Vanessa Santos da Cunha, então com 28 anos.
O crime descrito pelo promotor do caso Caio Di Rienzo como brutal, ocorreu em 28 de outubro de 2022, na casa do autor, no Jardim Global em Umuarama. Vanessa foi morta com 55 facadas.
Em um vídeo encaminhado exclusivamente ao Ilustrado, Di Rienzo esclareceu que a sentença aplicada pelo juiz da Vara do Tribunal do Júri, Cezar Adriano Moreira, foi a mais alta possível diante do caso e da legislação vigente na época do crime.
Esclareceu que analisou com cuidado a decisão e que entende e compartilha a indignação manifestada por muitas pessoas e que tem certeza que a sentença será mantida no Tribunal de Justiça. A defesa afirmou após a leitura da decisão que irá recorrer sob a alegação de nulidades durante o julgamento.
Em 2024, houve uma mudança na lei, que passou a classificar o feminicídio como um crime autônomo e endureceu a pena mínima, que passou a ser de 20 anos. Até então a morte da mulher no contexto da violência doméstica era apenas uma qualificadora do homicídio.
Júri
O promotor público salientou que o corpo de jurados reconheceu todas as qualificadoras do crime apresentadas pelo Ministério Público e afastou todas as teses apresentadas pela defesa para tentar justificar o crime e beneficiar o réu.
“A defesa tentou culpabilizar e estigmatizar a vítima, a colocando como uma pessoa surtada e desequilibrada, tentando atribuir à vítima, a Vanessa dos Santos Cunha, a culpa pelo crime”, afirmou Di Rienzo.
O promotor salientou que esse julgamento era considerado para ele mais importante, pois ao longo de sua carreira, sempre atuou com palestras junto a escolas sobre a importância da proteção à vida e em especial da mulher e sobre a violência doméstica.
O crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Vanessa Santos da Cunha foi morta com 55 golpes de faca na casa do ex-namorado, onde havia pedido para passar a noite após perder o ônibus para voltar para sua casa, em Altônia. Ela estava em Umuarama para tratamento médico.
Carlos Adriano Botelho de Assis foi preso em flagrante e permanece preso no Complexo Médico Penal de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.