3 KM DE DISTÂNCIA

Um mês após a localização dos corpos (19/09) dos quatro homens desaparecidos em Icaraíma, ainda existem várias dúvidas em relação ao caso, que continua sendo investigado pela Polícia Civil do Paraná, que também procura pelos principais suspeitos do crime: Antônio e Paulo Buscariollo, pai e filho.
Entre as questões não respondidas diante deste mistério está o já conhecido ‘mapa’ com a localização dos corpos, que teria sido entregue aos familiares das vítimas e também à polícia. Diante disso, o delegado chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Gabriel Menezes, voltou a afirmar que tal mapa só chegou às mãos da equipe policial após a localização dos corpos, e que ainda assim, a informação contida não seria verdadeira.
“Nenhum mapa foi entregue à Polícia Civil ou qualquer de seus agentes. Os corpos foram encontrados a partir de investigações e diligências de campo. Apenas depois da localização dos corpos é que um mapa chegou ao conhecimento da Polícia Civil. O referido mapa foi analisado e não condiz com o local onde os corpos estavam, pois indica um ponto distante mais de três quilômetros de onde os corpos foram encontrados”, afirma.

Na semana passada, forças de segurança revelaram que as investigações conduzidas levaram à descoberta de uma estrutura criminosa complexa instalada na zona rural do município. As diligências revelaram indícios da atuação de grupos organizados ligados ao tráfico e ao contrabando na região de fronteira.
Durante os trabalhos de campo, foram localizados cinco bunkers construídos em alvenaria e dezessete esconderijos improvisados, feitos com lonas camufladas entre a vegetação. De acordo com as apurações, esses locais eram utilizados para armazenamento de cargas ilícitas, como drogas e cigarros de origem paraguaia, antes de serem transportadas por estradas rurais que cortam o interior do município.
Entre os bunkers está aquele em que foi encontrada a Fiat Toro (12/09). O local fica a aproximadamente nove quilômetros do Pesqueiro Buscariollo, de propriedade dos principais suspeitos de envolvimento no desaparecimento.
Proprietários
A Polícia Civil afirmou que estes esconderijos estão espalhados em várias propriedades rurais, e que os proprietários estão sendo ouvidos para maiores esclarecimentos. Eles não são considerados investigados pelas mortes.
O caso dos quatro homens mortos

Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso foram encontrados na noite de 18 de setembro, após semanas de buscas. Eles haviam saído de São José do Rio Preto (SP) no dia 4 de agosto, com destino a Icaraíma (PR), para cobrar uma dívida relacionada à venda de uma propriedade rural. Alencar Gonçalves de Souza, morador de Icaraíma, também foi encontrado morto e se juntou ao grupo já na cidade para acompanhar a cobrança da dívida.
Conforme o delegado Tiago Andrade Inácio, da Polícia Civil do Paraná, as vítimas foram encontradas enterradas a cerca de 500 metros do local onde a picape usada por elas havia sido localizada no dia 12 de setembro. Os corpos estavam cobertos por plantas e entulhos, em uma área de difícil acesso.
Os principais suspeitos são Antônio Buscariollo, de 66 anos, e o filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, ambos foragidos. A defesa nega envolvimento no crime.
Segundo as investigações, Alencar, uma das vítimas, havia vendido uma propriedade rural à família Buscariollo por R$ 255 mil, mas nenhum valor teria sido pago. Para cobrar a dívida, ele contratou Rafael, Robishley e Diego, que trabalhavam com cobranças extrajudiciais há cerca de 13 anos.
O grupo foi visto pela última vez em uma padaria de Icaraíma, na manhã de 5 de agosto. No mesmo dia, após o último contato de Robishley com a esposa, os celulares das vítimas foram desligados. Diante do desaparecimento, familiares registraram boletins de ocorrência, e o caso passou a ser tratado como homicídio pela Polícia Civil.

Quem eram as vítimas
As investigações seguem em andamento para localizar os foragidos, esclarecer a motivação dos assassinatos e verificar possíveis conexões entre o crime e atividades ilícitas na região.