TRISTEZA

Uma mulher de 31 anos morreu dias após dar à luz ao seu segundo filho na Maternidade Regional, em Umuarama. A família registrou boletim de ocorrência e o caso passou a ser acompanhado pela Delegacia da Polícia Civil que informou que irá instaurar procedimento investigatório para apurar as circunstâncias do óbito. Familiares e o hospital divulgaram notas oficiais com versões distintas sobre a evolução do quadro clínico.
De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), familiares de Patrícia Fernandes da Silva Pedro compareceram à 7ª Subdivisão Policial de Umuarama no dia 12 de dezembro de 2025 para registrar um boletim de ocorrência comunicando o óbito. Conforme o registro, os fatos teriam iniciado no dia 7 de dezembro, após a realização de um parto cesariano na Maternidade.
Nos dias seguintes, segundo a comunicação feita à polícia, a paciente apresentou agravamento significativo do quadro clínico, necessitando de nova intervenção cirúrgica e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado considerado gravíssimo. O óbito foi confirmado às 23h10 do dia 12 de dezembro. O delegado-chefe, Gabriel Menezes, informou que a polícia irá instaurar investigação para o completo esclarecimento dos fatos, com oitiva dos profissionais envolvidos e requisição de prontuários médicos e demais documentos pertinentes.
A família
Em nota divulgada pelo advogado da família, Neto Herrera, os familiares afirmam que Patrícia faleceu poucos dias após ser submetida a um parto cesariano. Conforme a certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como insuficiência respiratória aguda, choque séptico de foco abdominal e abdome agudo perfurativo. Segundo a família, informações preliminares indicariam a possibilidade de complicações cirúrgicas, incluindo eventual perfuração intestinal durante o procedimento.
A nota relata ainda que, após receber alta hospitalar, Patrícia retornou à unidade de saúde com fortes dores abdominais, evoluindo rapidamente para um quadro crítico. A família afirma que ela não possuía histórico de doenças graves conhecidas e que buscou atendimento sempre que apresentou sinais de agravamento.
Os familiares informaram que estão solicitando a íntegra do prontuário médico, exames e laudos, além de encaminhar o caso aos órgãos competentes para apuração de eventual erro médico, ressaltando que a manifestação não tem caráter de pré-julgamento, mas de busca por esclarecimentos. Patrícia deixou um recém-nascido, uma filha de 9 anos e o marido.
A Maternidade
Já o Hospital e Maternidade Norospar, por meio de nota oficial, informou que a cesariana foi realizada após decisão da própria paciente, que teria sido orientada sobre os riscos do procedimento.
Segundo o hospital, a cirurgia ocorreu sem intercorrências intraoperatórias, embora fosse considerada de maior complexidade em razão de cirurgias prévias, como gestação ectópica (é quando um óvulo fertilizado se implanta e cresce fora do útero) e cesariana anterior.
A instituição afirma que, durante a internação inicial, não havia evidências clínicas ou laboratoriais de perfuração intestinal e que, diante da estabilidade observada, a paciente recebeu alta no dia 9 de dezembro. Ainda conforme o hospital, Patrícia retornou posteriormente para nova avaliação, sendo submetida a cirurgia laparoscópica exploratória e internada em UTI. O quadro clínico teria sido compatível com íleo paralítico pós-operatório associado à obstrução intestinal, condição descrita como rara e de diagnóstico difícil, que pode evoluir para infecção generalizada. O hospital sustenta que toda a assistência seguiu protocolos médicos, éticos e legais, e que a causa do óbito foi insuficiência respiratória aguda decorrente de choque séptico de foco abdominal.
A Polícia Civil reforçou que a investigação segue em andamento, com rigor técnico e respeito ao devido processo legal, e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das diligências. O caso segue sob apuração das autoridades competentes. A polícia não descarta a hipótese de exumação do corpo de Patrícia.
Confira na íntegra a nota do hospital:
NOTA À IMPRENSA – ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO
A Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná – Hospital e Maternidade Norospar vem a público manifestar, com profundo respeito e solidariedade, seu pesar pelo falecimento da paciente P.F.S., bem como prestar esclarecimentos técnicos diante de informações que vêm sendo divulgadas de forma imprecisa e equivocada, gerando interpretações incompatíveis com a realidade assistencial, clínica e documental do caso.
1. Contexto da internação e decisão terapêutica
A paciente P.F.S. deu entrada no Hospital e Maternidade Norospar no dia 7 de dezembro, apresentando trabalho de parto natural, com contrações. Após avaliação clínica e obstétrica, optou pela realização de cesariana, mesmo após receber, juntamente com sua acompanhante, orientações acerca dos riscos inerentes ao procedimento cirúrgico, conforme estabelecem as diretrizes médicas vigentes e registros em prontuário. Ressalta-se que a cesariana não foi imposta pela equipe médica, tratando-se de decisão consciente da paciente.
2. Complexidade cirúrgica
A cesariana foi realizada sem intercorrências intraoperatórias. No entanto, o procedimento apresentou alto grau de complexidade, em razão de antecedentes cirúrgicos relevantes, incluindo gestação ectópica prévia e cesariana anterior, condições reconhecidas pela literatura médica como fatores que aumentam o risco de aderências e complicações intestinais no período pós-operatório.
3. Assistência e acompanhamento pós-operatório
Após a cirurgia, a paciente permaneceu sob acompanhamento clínico e assistencial, sendo submetida a avaliações médicas seriadas e exames compatíveis com os sintomas apresentados naquele momento. Não houve, durante a internação inicial, qualquer evidência clínica, laboratorial ou diagnóstica de perfuração intestinal ou intercorrência cirúrgica, conforme devidamente registrado em prontuário médico.
Diante da estabilidade clínica observada à época, a paciente recebeu alta hospitalar no dia 9 de dezembro, conforme critérios técnicos assistenciais.
4. Esclarecimento técnico sobre o quadro clínico e evolução
Na quarta-feira (10 de dezembro), a paciente procurou atendimento em hospital do município de origem, sendo posteriormente encaminhada ao Hospital e Maternidade Norospar. Após nova avaliação médica e exames de imagem complementares, diante da persistência do quadro clínico, foi submetida a cirurgia laparoscópica exploratória, com posterior internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O quadro clínico foi compatível com uma condição rara e descrita na literatura médica, denominada íleo paralítico pós-operatório, associada à obstrução intestinal, complicação possível após cirurgias abdominais, inclusive cesarianas, especialmente em pacientes com histórico cirúrgico prévio.
Essa condição pode se manifestar entre 24 horas e vários dias após o ato cirúrgico, apresentando diagnóstico inicial difícil e evolução imprevisível, podendo evoluir, em casos graves, para infecção generalizada e óbito, mesmo diante de intervenção médica adequada.
Apesar de todos os esforços médicos e assistenciais empregados, a paciente evoluiu para óbito cuja causa foi insuficiência respiratória aguda, decorrente de choque séptico de foco abdominal, em virtude de abdômen agudo perfurativo, provocado por ílio paralítico consequente do parto cesáreo.
5. Compromisso institucional e medidas cabíveis
O Hospital e Maternidade Norospar reafirma que toda a assistência prestada seguiu rigorosamente os protocolos médicos, éticos e legais, com registros completos, fidedignos e transparentes. A Instituição respeita profundamente a dor da família e o momento de luto, contudo não pode admitir a disseminação de acusações infundadas ou exposições de caráter calunioso contra seus profissionais ou contra a Instituição.
Diante disso, o Hospital informa que eventuais divulgações inverídicas serão devidamente analisadas e encaminhadas às instâncias judiciais competentes, visando à preservação da verdade dos fatos, da ética profissional e da segurança da informação em saúde.
A Instituição reafirma seu compromisso permanente com a vida, a segurança do paciente e a transparência, permanecendo à disposição das autoridades para os esclarecimentos técnicos necessários.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
HOSPITAL NOROSPAR