VIOLÊNCIA

O casal executado a tiros na manhã desta sexta-feira (7), na rua Jandaia, Zona III, em Umuarama, tinha uma extensa ficha criminal que inclui homicídios, tráfico de drogas, roubos e outros delitos. As informações foram confirmadas pela Polícia Civil, que investiga o caso e não descarta a hipótese de uma execução ligada à disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas na cidade de Campo Mourão, onde moravam.
O homem, identificado como Muriel Pereira de 45 anos, natural de Campo Mourão, acumulava mais de dez passagens criminais, incluindo pelo menos quatro homicídios registrados desde o início dos anos 2000. O histórico policial revela uma vida marcada por crimes graves: homicídio simples (2001), homicídio qualificado (2004, 2023 e 2024), além de roubo majorado, furto qualificado, corrupção ativa, tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo.
Já a mulher, Talita Letícia Santos de 22 anos, também natural de Campo Mourão, respondia por homicídio qualificado em 2024. Apesar da pouca idade, ela já figurava em investigações criminais e, segundo familiares, estava grávida de 11 semanas no momento da execução.

EXECUÇÃO AO AMANHECER
De acordo com as investigações preliminares, o casal foi morto nas primeiras horas da manhã, por volta das 5h. Dois homens em uma motocicleta invadiram uma casa vizinha por engano, antes de arrombar o imóvel onde o casal morava. Ao perceberem o erro, os criminosos foram até a residência ao lado e surpreenderam o homem saindo de casa. Ele foi alvejado e morreu ainda na área externa.
Em seguida, os executores entraram na casa e dispararam diversas vezes contra a mulher, que foi morta na cama, no quarto do casal. A ação foi rápida, e os atiradores fugiram logo depois.
“Eu pensei que estivesse sonhando. Foram muitos tiros, mas muitos mesmos. Foram mais de 30. Depois que fui ver que era esses dois assassinatos”, disse um morador próximo em conversar informal ao Ilustrado.
A Polícia Militar informou através de nota que foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou as duas vítimas sem vida. Os militares isolaram o local e acionaram a Polícia Civil e o Instituto de Criminalística. Após a perícia, os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Umuarama.

TORNOZELEIRA ELETRÔNICA E INVESTIGAÇÃO
Conforme a Polícia Militar (PM), M.P.O. usava tornozeleira eletrônica no momento da morte, o que indica que ele cumpria medidas restritivas impostas pela Justiça. Segundo familiares, o casal havia se mudado recentemente de Campo Mourão para Umuarama sob o pretexto de que o homem estava realizando tratamento contra um câncer.
Moradores relataram que, na noite anterior ao crime, o casal aparentava tranquilidade. “Eles ficaram até meia-noite em frente à casa, conversando e tomando tereré”, contou uma vizinha que teve sua casa invadida pelos criminosos antes da execução.

DISPUTA ENTRE FACÇÕES
A polícia não descarta a hipótese de execução ligada à guerra entre facções criminosas que atuam em Campo Mourão. Duas organizações rivais, uma na zona leste e outra na zona oeste da cidade, disputam o controle do tráfico de drogas. Essa rivalidade já provocou dezenas de mortes nos últimos anos, segundo informações das forças de segurança.
INVESTIGAÇÕES EM ANDAMENTO
As autoridades ainda não identificaram os autores do crime nem confirmaram a motivação exata da execução. “As equipes estão em busca de informações sobre os fatos. Ainda não foi possível definir suspeitos ou motivações”, informou a Polícia Civil em nota oficial.