Política

Umuarama

Câmara abre processo que pode exonerar servidor e cassar mandato de vereador

18/12/2019 11H49

Umuarama – O presidente da Câmara Municipal de Umuarama, Noel do Pão, determinou ontem a abertura de processo administrativo contra o vereador Deybson Bitencourt e seu secretário parlamentar Samuel Manoel Santiago. Os dois são acusados de, na sexta-feira passada, gravar e compartilhar, de forma ilícita, um vídeo feito na própria Casa e na rua onde apareceram, entre outros, o chefe de Gabinete de Gestão Integrada da Prefeitura, Luiz Genésio Picoloto, os vereadores Junior Ceranto e Ronaldo Cruz Cardoso e o gerente regional da Sanepar, Carlos Henrique Gonçalves saindo de uma reunião na Câmara.

O vereador Deybson não participou da reunião que foi na Comissão de Justiça, Redação, Economia e Finanças e abordou o projeto de renovação do contrato do município com a Sanepar. Na oportunidade, ficou definida a retirada do projeto da Prefeitura com tal proposta que seria votado em sessão extraordinária na segunda-feira dia 16.

O assessor de Deybson ficou do lado de fora da sala e quando a reunião terminou fez um vídeo com o celular acompanhando a saída os vereadores e do gerente da Sanepar. Mais tarde, o vídeo foi postado nas redes sociais com grande repercussão e alguns comentários que suspeitavam de que algo de errado teria sido tratado na reunião feita às portas fechadas.

Junior Ceranto e Ronaldo Cruz dizem que se sentiram coagidos com as gravações feitas dentro e fora da Câmara. O gerente da Sanepar foi acompanhado até no carro dele. O secretário Picoloto diz que a filmagem foi feita de forma acintosa, inapropriada e criminosa.

A Sanepar informou por meio de nota que também registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia de Umuarama para que o autor da publicação e quem compartilhou o conteúdo respondam por crime de calúnia e difamação contra a pessoa do gerente filmado.

Diante da situação, Picoloto registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia de Umuarama e, juntamente com os vereadores Junior Ceranto e Ronaldo Cruz, encaminhou requerimento à presidência do Legislativo pedindo a exoneração do servidor Samuel Santiago e a cassação do mandato do vereador Deybson por quebra de decoro parlamentar.

Convocação

Diante da apresentação do requeimento, o presidente do Legislativo Municipal determinou a realização de Processo Administrativo para que sejam apurados os fatos relativos à exoneração do servidor. E que acerca do questionamento de quebra de decoro pelo parlamentar Deybson Bitencourt, o mesmo será objeto de procedimento na forma da Resolução 75/95 do Regimento Interno da Câmara Municipal.

A Câmara informou no fim do dia que a notificação pessoal do servidor e do vereador, o qual foi protocolado ao final da tarde pelo mesmo, assegurando ainda o direito ao contraditório a ambos os notificados. Eles têm 48 horas para se manifestar.

A defesa dos acusados

O vereador Deybson disse à reportagem do Ilustrado que as acusações contra ele e seu assessor Samuel são frutos de políticagem. “Os crimes imputados a mim e meu assessor não merecem prosperar, pois nenhum crime foi cometido. Em nenhum momento o Samuel falou nada na gravação. E a gravação foi feita de pessoas públicas, dentro de um prédio público, sobre o assunto que deveria ser público, pois interessa a toda a comunidade, e em nenhum momento os alvos da filmagem pediram para parar ou que não autorizavam a filmagem”, disse. Deybson afirma ainda que todas as reuniões das comissões na Câmara tem de ser abertas a quem quiser delas participarem ou acompanharem o que ocorre.

Boletim de Ocorrência

E ontem a tarde, o vereador Deybson também registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia local contras as pessoas que o acusam e acusam o seu assessor pela gravação e compartilhamento do vídeo. O BO é por denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime.

“Estamos tranquilos e a verdade será restabelecida”, diz o vereador.

Mais gente na mira

O vídeo com as imagens feitas de Junior Ceranto, Ronaldo Cruz, Picoloto, o chefe de Gabinete da Câmara, Marciel Aparecido Rodrigues e o gerente da Sanepar Carlos Henrique alcançou centenas de compartilhamentos e comentários nas redes sociais. E os responsáveis pelos comentários maldosos e sem fundamentos ou provas poderão ser alvos de ações na Justiça. Alguns deles já foram alvos de captura de tela (feito print) e registrados em ata notarial no cartório para posterior encaminhamento à justiça. “Essas injúrias não podem perpetuar num estado democrático e de Direito”, diz o secretário da Prefeitura, Luiz Genésio Picoloto, que também é advogado.