Política

NA EQUIPE

Bolsonaro anuncia general assessor de Toffoli para Defesa

14/11/2018 11H02

Indicado para presidir Autoridade Pública Olímpica, Fernando Azevedo e Silva responde sabatina
Foto: Pedro França/Agência Senado

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou nesta terça (13) o general da reserva Fernando Azevedo e Silva para o Ministério da Defesa. Terceiro militar indicado até agora para compor o futuro governo, o general é assessor especial do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli.
A indicação foi precedida de um telefonema de Bolsonaro para Toffoli. “Fui consultado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre a indicação de Fernando Azevedo e Silva e prontamente disse que seria uma excelente escolha”, afirmou o presidente do Supremo por meio de nota em que elogiou o assessor.
“Certamente sua larga experiência contribuirá para o fortalecimento da atuação das Forças Armadas, da segurança e da defesa no Brasil. Seu perfil técnico, sua dedicação ao serviço público e sua visão republicana são aspectos fundamentais para a nova missão na administração pública federal”, completou.
Azevedo e Silva foi nomeado para o cargo de assessor especial da presidência do STF em 27 de setembro, duas semanas após Toffoli tomar posse como presidente. Seu nome havia sido sugerido ao ministro pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, antes de Toffoli assumir o comando do Judiciário. O general ainda não foi oficialmente desligado do STF.
Segundo o tribunal, Azevedo e Silva tem atuação na área de políticas de segurança pública, sobretudo de penitenciárias, no âmbito do Supremo e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que também é presidido por Toffoli.
“No período em que está no Supremo Tribunal Federal, o general conquistou a todos, ministros e servidores, e está sendo um grande colaborador nos temas envolvendo políticas de segurança. Desejo sucesso ao general Fernando na sua nova missão”, disse Toffoli em sua nota.
À tarde, após visita ao TST (Tribunal Superior do Trabalho), Bolsonaro afirmou a jornalistas que a escolha de Azevedo e Silva não partiu do presidente do Supremo. “Não foi sugestão do ministro Toffoli, não foi. Isso é entre nós, e eu ouço muito o general [Augusto] Heleno para bater martelo nessas questões aí”, disse.
A equipe de Bolsonaro considerava anteriormente indicar o também general da reserva Augusto Heleno para a Defesa. Na semana passada, porém, houve uma mudança de planos, e Heleno foi designado para o Gabinete de Segurança Institucional.
Ministros do STF disseram reservadamente que foram surpreendidos pela indicação de Azevedo e Silva para a pasta. O assessor de um ministro observou que Azevedo e Silva teve pouco tempo para desenvolver projetos no tribunal.
Havia a expectativa de que o general da reserva servisse de ponte para facilitar a interlocução entre o STF e o governo Bolsonaro, como sugeriam pessoas próximas de Toffoli.
Antes do segundo turno, que sagrou Bolsonaro vitorioso, um vídeo de seu filho, o deputado reeleito Eduardo Bolsonaro, gerou reação dos ministros. No vídeo, o parlamentar disse que bastariam um soldado e um cabo para fechar o STF.
O decano da corte, Celso de Mello, chamou a declaração de golpista. Toffoli teve de soltar nota para marcar a posição da corte e apaziguar a crise. “O país conta com instituições sólidas e todas as autoridades devem respeitar a Constituição. Atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”, disse na ocasião.
Um dos pontos que foi analisado pelos magistrados foi a conveniência de se nomear um militar, e representante de uma das três Forças (o Exército), para o ministério.
O ministro Marco Aurélio afirmou a jornalistas que Azevedo e Silva “é um bom nome” para a função, mas, questionado, respondeu que o ideal seria ter um civil na Defesa.
“Sem dúvida é uma pessoa qualificada para a função”, declarou o ministro Gilmar Mendes. “[Azevedo e Silva] Está na reserva. Vai exercer uma função que é tipicamente civil. Recentemente havia um general, o presidente Temer também indicou [um militar]. É uma função típica de pessoas qualificadas, não vejo nenhum problema nisso”, afirmou.
Ministro da Educação e da Casa Civil do governo Dilma, o petista Aloizio Mercadante também elogiou a escolha. “Sempre foi um general dedicado e competente com excelente resultado nos projetos.”
O ex-ministro disse esperar que a nomeação contribua para impedir a concretização de ameaças descabidas de intervenção militar. (Folhapress)