VIDA E EVANGELIZAÇÃO

Umuarama – Este ano o ator umuaramense Devanir Rissato completa 47 anos interpretando Jesus na encenação da Paixão de Cristo. Somente na montagem atual, feita pelo Grupo Teatral São Francisco de Assis, da Paróquia São Francisco de Assis são 23 anos subindo ao palco para evangelizar através da arte. Este ano, a apresentação será no próximo dia 03, Sexta-feira Santa, no Morro das Antenas, a partir das 19h30.
E mesmo com toda a experiência, Devanir releva que sempre se emociona e a voz embarga com o choro em algumas passagens. “A passagem do Getsêmani, quando Cristo está sozinho no Monte das Oliveiras sempre me emociona muito, a voz trava. É algo muito profundo e que sei que o Espírito Santo está me iluminado para que consiga passar a mensagem de Cristo e evangelizar. Outra passagem é a da ressurreição, pois ali dizemos o motivo da nossa fé, que é crer que Jesus ressuscitou”, afirmou.

Para dar conta de um papel tão importante, Devanir disse que antes de subir ao palco tem o seu momento a sós com Deus para suas orações. “Coloco minhas mãos postas e todos já sabem que estou orando e me concentrando. Não dá para conversar e desconcentrar neste momento”, explicou.
Mesmo assim, confessa que já passou por alguns perrengues ao esquecer uma ou outra fala. “É complicado e quem está assistindo não percebe, pois dou algumas paradas, respiro fundo e tento puxar na memória, lembrar o que está no script e também da passagem na Bíblia. Não dá para improvisar. Tem que ser a fala de Cristo que está na Bíblia”, conta.

Devanir conta que a primeira vez que subiu aos palcos para interpretar Cristo foi em 1.979. O convite para o papel veio porque na época usava cabelo e barba longos e já participava da Paróquia São Francisco através do Coral Vozes do Infinito.
Naquela época a encenação era pequena e feita na escadaria da igreja Matriz com a participação de 50 a 60 pessoas. “No primeiro ano foi outro rapaz, mas ele desistiu e no ano seguinte me convidaram”, relembra. O grupo atuou na década de 1.980. Nos anos seguintes outra trupe teatral assumiu a encenação, que foi retomada no início dos anos 2000 pelo Grupo Teatral São Francisco de Assis.
“Quando retomamos, começávamos a apresentação na escadaria e depois completávamos a Via Sacra até o Morro das Antenas, onde havia a morte e a ressurreição”, explica. Nesta época ele carregava nas costas os cerca de 1,4 km entre a igreja e o Morro das Antenas, no Alto São Francisco.
Hoje o espetáculo cresceu e é desenvolvido em seis palcos montados no espaço cedido pela Sanepar. Tem os palcos de Caifás, Pilatos, Rei Heródes, Santa Ceia, do Getsêmani e um maior que fica na parte de baixo e mais próximo ao público onde acontece a maior parte das cenas. São 250 pessoas envolvidas entre figurantes, atores e equipe técnica e de apoio.

O ator conta que há alguns anos está a procura de um substituto, mas tem que ser uma pessoa com comprometimento. “Estamos preparando uma pessoa. Vamos ver como será no próximo ano. Não tenho como dizer que será o meu último ano como Jesus ou não. Vamos aguardar”, respondeu ao ser questionado se estava se aposentando do papel.
O pensamento de deixar o personagem que interpreta há quase 50 anos tem uma explicação: o tempo. Atualmente Devanir está com 67 anos e aposentado.
Hoje a cabeleira já não é farta e junto com a barba ficou grisalha, mas não é impeditivo para o papel. “Hoje o cabelo e a barba ainda estão brancos”, brincou durante a entrevista. A mudança ocorre mais próximo ao dia da apresentação, quando Devanir coloca aplique nos cabelos para disfarçar o início da calvície que ainda junto com a barba recebe coloração.
Ele conta que a cruz é literalmente pesada e trepida em pequenas pedras no meio do gramado, o que leva a machucados e vermelhidões nos ombros. ‘Mas está tudo certo. O importante é conseguirmos evangelizar, afinal é esse o nosso objetivo com a arte”, finaliza.

Encenação da Paixão e Ressurreição de Cristo
Dia 03 de abril, às 19h30
Local; Morro das Antenas, na Avenida Duque de Caxias, em Umuarama
Levar bancos e cadeiras