Umuarama

DIA DA ÁGUA

Assoreamento continua acabando com os rios que restam em Umuarama e região

25/03/2019 08H33

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O Brasil vem registrando morte de rios e peixes motivados por rompimento de barragens, além de toneladas de resíduos flutuando nos cursos de águas. Estamos matando nossos rios e mares e isso também é visto em Umuarama e região.

Praticamente todos os rios, córregos e riachos, onde existe ação do homem, estão assoreados. A areia vinda da monocultura, da falta de conservação de solo, de loteamentos e construções em fundo de vales estão tomando conta das águas. A ganância do homem e a falta de consciência podem ser observadas no lago Aratimbó, no córrego Pinhalzinho e também no único manancial capaz de abastecer a população de Umuarama, o rio Piava.

Segundo o diretor de Meio Ambiente de Umuarama, Matheus Michelan Batista, a cidade conta com rios recebendo ligações clandestinas e lixo vindo das galerias pluviais, mas o maior problema é o assoreamento. “O solo do nosso município é muito suscetível à erosão e com as Áreas de Preservação reduzidas, isso fica mais evidente. O Pinhalzinho é um dos piores rios que temos. Ele nasce no Bosque dos Xetá, onde já começa o lixo que é jogado nas ruas e terrenos baldios, segue para o bairro São Cristóvão e neste percurso vêm grandes quantidades de areia”, disse.

O chefe da regional do Instinto Ambiental do Paraná em Umuarama (IAP) Felipe Furquim de Oliveira, ressaltou que no levantamento da Sanepar 44% da mata ciliar da bacia do rio Piava está defasada. “Pela ausência da mata ciliar a Sanepar tem que dragar o dobro de terra se comparado com anos passados. Nós sempre dissemos [Se o Paraná é uma potência agrícola é porque somos uma potência hídrica]. Se a preservação não vir por meio das medidas ambientais, não vamos conseguir proteger o maior bem que temos”, alertou.

ZONA RURAL

Longe dos loteamentos e do lixo, os rios da zona rural também agonizam. O biólogo e fiscal do Meio Ambiente do IAP, Cidnei Aparecido da Silva, explica que as quantidades de chuvas na região não aumentaram, porém estão ocorrendo em um curto período. “Nossas conservações de solo não estão preparadas para receber uma grande quantidade de água de uma só vez, promovendo erosões e levando a terra para o curso dos rios”, ressaltou.

Tal fenômeno é principalmente visto em regiões onde os rios passam por propriedade com monocultura (cana-de-açúcar e mandioca) “Em áreas de pastagens a chuva bate e infiltra na terra. Na monocultura a água corre levando o solo para o rio, pois deveria ter mais proteção, como o terraceamento, conservação e rotatividade de plantio”, explicou.

Triste fim

Morador da zona rural de Xambrê, João Riguetti lembra com tristeza de como era bonito o rio da Abelha, que passa no fundo da sua propriedade. “De longe era possível ver as erosões nas propriedades com cana-de-açúcar e mandioca. Toda essa terra correu para o rio e onde tinha uma linda cachoeira o local foi coberto por toneladas de areia. O homem destrói tudo”, noticiou.

Rio e plantações mortas

Quando a chuva leva o solo inicia as erosões e essa terra que segue para os rios é rica em nutriente para as plantas, desta forma as plantações não se desenvolve. “Na questão dos rios, a grande quantidade de areia aumenta a temperatura e os micro-organismos morrem, o que acaba com a vida no rio. Assoreamento é o fim da biodiversidade do curso d`água”, esclareceu o da Silva.

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