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Arte

Artista plástico pinta a vivência de quase morte e cura da esposa

24/08/2018 16H57

Max Delly e Aparecida Antônia expõem primeira as telas no dia 3 de setembro no Shopping Avenida Center em Maringá

Umuarama – Pense e tente sentir uma dor tão profunda que a morte seria a única solução. Seu cérebro está se entregando, então, respire e imagine essa situação por mais de vinte dias em um País estranho, em que você está entregue a um tratamento sem resultados positivos. Inserido neste cenário de desespero, vivenciado por sua esposa (Aparecida Antônia), o artista plástico umuaramense Max Delly retratou, em 12 telas, a vivência espiritual e humanizada de quase morte até o caminho de volta à vida de sua parceira.
As telas de Max Delly ainda estão guardadas a “12 chaves” e serão expostas pela primeira vez no dia 3 de setembro até o dia 22 de setembro no Shopping Avenida Center em Maringá. Com o título A Chave, o artista e sua esposa, a terapeuta Aparecida Antônia, retratam por meio das telas e textos a experiência de cura vinda de um atendimento humanizado e uma vivência espiritual. Este caminho começou com um acidente de ônibus no fim de 2017, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

História

Max retratou, em 12 telas, a vivência espiritual da sua esposa Aparecida Antônia

Acompanhando as apresentações da Sutil Companhia de Dança na Bolívia, no mês de novembro de 2017, Max e Aparecida estavam em um ônibus que saiu da estrada e despencou por um despenhadeiro de 10 metros. Aparecida ficou presa no compartimento de bagagem quando teve o pulmão perfurado e agravamento de uma hérnia de disco até então desconhecida e que provocou dor neuropática (um curto circuito no sistema nervoso). “Era uma dor terrível e por isso não conseguia me mexer. Foi um sofrimento terrível”, relembrou a umuaramense.
Neste contexto Antônia foi encaminhada para um hospital, mas os remédios aplicados não surtiam efeitos e sua filha começou a buscar ajuda com conhecidos no Brasil. Uma médica brasileira recebeu a notícia e pediu ajuda para uma amiga de profissão mexicana, que estava em um congresso na cidade Boliviana. “Quando esses médicos mexicanos chegaram eu já senti a diferença, eles olhavam para mim era um humano tratando outro humano, não um médico tratando a doença”, relembrou.
Antes da melhora iniciada com o tratamento humanizado dos médicos do México, a entrevistada contou que por um momento, em meio a noite, alguma coisa aconteceu e ela estava pronta para deixar o corpo. “Eu não pensava, foi muito estranho. Apenas senti que eu não queria mais lutar e estava pronta. Porém, fui acordada por uma luz vermelha e alguém deixava uma chave sobre meu coração e eu voltei”, relembrou.
Após receber alta, mas sem condições para voltar ao Brasil, a terapeuta permaneceu na casa de um casal de artistas bolivianos. “Pensei, nem conheço essas pessoas, como pediram para eu ficar na casa deles? Acredito que isso também fez parte da cura”, enfatizou.
Neste momento ela começa a fazer sessões de fisioterapia, mas sua saúde volta a arruinar até ter uma convulsão em meio ao uma sessão. A família auxiliada por pessoas na Bolívia tenta buscar tratamentos diferenciados. “O que fazer quando o remédio não funciona? O que fazer quando o tratamento convencional não surte resultados? Precisamos de humanização na medicina, este foi um dos pensamentos que tivemos”, relatou a umuaramense.
Nesta busca encontraram uma fisioterapeuta brasileira com métodos e abordagem diferenciadas e foi quando tudo começou. “Na primeira sessão aconteceu algo que me deixou muito assustada e eu já melhorei 40%. Era uma profissional humana e que me mostrou que eu podia. Em meio ao tratamento tive uma visão, que se repetiram ao longo dos dias. As visões contavam histórias que me liberaram fortes emoções e consequentemente me curo neste processo, a ponto de deixar as medicações e voltar para o Brasil. Aconteceu de forma espontânea e eu tinha muito medo do que via”, contou.

As cicatrizes

Neste turbilhão de emoções e sentimentos, o casal decidiu contar a história para mostrar que é preciso acreditar no ser humano, como também que a medicina tradicional precisa se abrir para algo mais profundo, tirando o foco apenas da doença. “Ela me contava as visões e eu expressei da minha forma nas telas. Este é um material muito profundo e com uma carga emocional muito grande. Precisamos nos humanizar esta é a mensagem”, noticiou Delly.
Delly usa essências de várias escolas artísticas para levar ao público, as visões da esposa e o processo de cura nas telas. “No dia lançamento da exposição vamos fazer uma roda de conversa para falar dessa vivência e da espiritualidade com forma de auxílio na cura. Todos estão convidados”, finalizou.