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Apreensões de agrotóxicos ilegais no Paraná disparam 257% em 2025, alerta PRF 

24/10/2025 12H01

Jornal Ilustrado - Apreensões de agrotóxicos ilegais no Paraná disparam 257% em 2025, alerta PRF 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou um aumento expressivo nas apreensões de agrotóxicos ilegais no Paraná. Até outubro deste ano, foram recolhidas 9,2 toneladas de produtos, um crescimento de 257% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 2,57 toneladas. O número deste ano também supera o total de todo o ano passado, que somou 3,57 toneladas. 

Segundo a PRF, os produtos mais comuns encontrados são à base de paraquat, proibido no Brasil, e tiametoxam, de uso restrito. O tiametoxam teve seu uso restringido em 2024 após estudos comprovarem a relação do químico com a mortalidade de abelhas. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a medida visa proteger insetos polinizadores e, assim, evitar impactos negativos na produção de alimentos. 

De acordo com a PRF, o risco dos agrotóxicos ilegais não se restringe apenas aos trabalhadores rurais. A contaminação pode atingir a comunidade local, os alimentos produzidos, rios e lençóis freáticos, além de colocar em risco a fauna e a flora silvestre, causando desequilíbrios ecológicos que afetam a produtividade agrícola. 

Conforme a PRF, 90% das apreensões resultam de abordagens orientadas, fruto de um trabalho de inteligência policial que aumenta a assertividade das fiscalizações. A entrada desses produtos no Brasil ocorre principalmente por contrabando de países vizinhos, como Paraguai, Argentina e Uruguai. 

A maior apreensão de agrotóxicos de 2025 foi registrada no município de Janiópolis, próximo a Campo Mourão, na região centro-oeste do Paraná. A abordagem a um veículo de carga revelou o transporte ilegal de três toneladas dos produtos. Diversos bags de inseticidas eram transportados sem qualquer tipo de comprovação de origem ou documento fiscal. O motorista, de 43 anos, receberia pelo transporte, sem ter conhecimento real da origem ou do destino dos produtos. 

A PRF alerta que casos como este refletem um esquema organizado de contrabando, em que o transportador funciona como “mula”, semelhante ao modus operandi do tráfico de drogas. Frequentemente, os produtos ilegais são escondidos em cargas regulares ou transportados junto com outros itens ilícitos, como cigarros contrabandeados. 

Para garantir a legalidade, a PRF recomenda que a compra de defensivos agrícolas seja feita com receituário agronômico, por comerciantes autorizados e com emissão de nota fiscal. A embalagem e a bula do produto devem estar em português. 

A PRF ressaltou que o contrabando de agrotóxicos é considerado crime, com pena de reclusão de 2 a 5 anos. Já o transporte, a compra e a venda desses produtos ilegais configuram receptação qualificada, com pena de 3 a 8 anos de reclusão e multa.