Cotidiano

OPERAÇÃO METÁSTASE

Apesar de ter ‘habeas corpus’, Cícero Laurentino continua preso

30/03/2022 17H19

Jornal Ilustrado
José Cícero Laurentino continua recolhido na Cadeia Pública de Campo Mourão (foto arquivo)

O ex-secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de Umuarama, José Cícero Laurentino, apesar de ter obtido seu terceiro ‘habeas corpus’ junto ao Tribunal de Justiça do Paraná, por enquanto vai continuar recolhido na Cadeia Pública de Campo Mourão, a 105 km de Umuarama.

A explicação é que vigora contra Laurentino mais dois mandados de prisão preventiva, decretados pela Justiça ainda em maio de 2021, quando ele foi preso na deflagração da Operação Metástase.

Nesta terça-feira (29) a noite, chegou a circular a informação de que Laurentino havia conquistado a liberdade e que estaria na casa de parentes.

Preso

Nesta quarta-feira (30), o Ilustrado apurou que a história é diferente e que Laurentino continua atrás das grades em Campo Mourão. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação do Departamento de Polícia Penal do Paraná (Depen).

Processos

Ainda segundo o apurado pelo Ilustrado, José Cícero Laurentino responde a cinco processos, e em todos inicialmente, teve sua prisão preventiva decretada. Nestes quase 11 meses atrás das grades, sua defesa conseguiu ‘derrubar’ três dos cinco mandados de prisão junto ao Tribunal de Justiça. Mas para ganhar a liberdade, é necessário obter ‘habeas corpus’ em todos. Não há prazo para o julgamento dos pedidos de liberdade formulados pela defesa.

Metástase

Segundo denúncia do Ministério Público, Laurentino é investigado por atuar em ao menos duas organizações criminosas suspeitas de praticar os crimes de peculato e falsidade ideológica a partir de supostos desvios na área da saúde no Município de Umuarama e na pavimentação da Estrada Jaborandi, além de fraudes em licitações (direcionamento para empresas de interesse do grupo), fraudes em contratações diretas (também com favorecimento a empresas ligadas ao grupo), superfaturamentos e corrupção ativa e passiva (com depósitos em contas de investigados e de terceiros).

Somente no âmbito da Operação Metástase, a suspeita é que os investigados sejam responsáveis pelos desvios de R$ 19 milhões em recursos da Saúde. Nas duas fases da operação, a Justiça decretou 12 mandados de prisão, 62 de busca e apreensão e cinco de sequestro de bens. A investigação também resultou no afastamento do então prefeito Celso Pozzobom, que acabou tendo seu mandato cassado pelos vereadores no início de 2022..

A Operação Metástase foi conduzida pelo núcleo de Umuarama do Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria) e pelo núcleo de Cascavel do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), unidades do MPPR.

Operação Jaborandi


A Operação Jaborandi foi deflagrada em outubro de 2021 pela Polícia Federal e apura suposta fraude no processo licitatório que pavimentou a Estrada Jaborandi, em Umuarama. O custo da obra divulgado na época foi de R$ 3,8 milhões, sendo R$ 2,9 milhões rateados entre o Município e os proprietários rurais ao longo da via.
Ainda segundo o divulgado pela Polícia Federal à época, perícia técnica apurou que nos 6 km da estrada foi aplicado quantitativo menor de asfalto do que o previsto em projeto, resultando em um prejuízo de R$ 180 mil aos cofres públicos.