Esportes

EM MADRID

Ainda sob tensão, River e Boca Jrs decidem a Libertadores

08/12/2018 13H56

A final da Libertadores disputada em campo neutro, objeto de desejo do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, chegou com um ano de antecedência. A copa continental será decidida em apenas uma partida a partir de 2019. Santiago, no Chile, foi escolhida. Um dos motivos para acabar com o formato de ida e volta, utilizado desde a criação do torneio, em 1960, foi tirar do clube mandante a organização de tudo relacionado ao evento, desde a venda de ingressos, dinheiro e segurança. O jogo está marcado para domingo (9), a partir das 17h30 (de Brasília).

River Plate e Boca Juniors entram em campo no Santiago Bernabéu, em Madri, neste domingo (9) para definir o vencedor do troféu deste ano. Será a primeira vez que a Libertadores conhecerá o campeão fora do seu continente. A Espanha foi selecionada após sugestão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de que seria melhor realizar o jogo na Europa do que no Qatar, país que fez a proposta mais vantajosa para receber a final.

O formato de jogo único é uma tentativa de fazer a Libertadores se aproximar da europeia Champions League, a competição de clubes mais rentável do mundo. “Não é questão de imitar a Uefa, mas perceber que eles estão fazendo as coisas melhor. [A final em jogo único] ajuda na questão da segurança, que passa a ser uma responsabilidade de Conmebol e não de uma associação nacional. É boa em todos os aspectos. Os patrocinadores investem mais, o jogo vai gerar muito mais recursos”, afirma Domínguez à Folha.

A primeira partida foi realizada em La Bombonera, no último dia 11, e terminou empatada em 2 a 2. Quem vencer no estádio Santiago Bernabéu será campeão. Nova igualdade levará a decisão para a prorrogação e, se for necessário, disputa de pênaltis. O confronto de volta, marcado para 24 de novembro, no estádio Monumental de Nuñez, não aconteceu porque o ônibus que levava a delegação do Boca Juniors foi atacado por torcedores do River Plate próximo ao estádio.

Janelas foram quebradas por garrafas e pedras. O jogador mais ferido foi Pablo Pérez, que sofreu cortes no braço e teve úlcera no olho por causa dos estilhaços de vidro. O Boca se recusou a entrar em campo, e a final foi adiada para o dia seguinte. Por pressão dos jogadores, o presidente do clube, Daniel Angelici, também descartou voltar ao Monumental e entrou com pedido dos pontos (e o título) no tribunal disciplinar da Conmebol. A solicitação foi recusada, mas Domínguez considerou que não havia possibilidade de remarcar a final para a Argentina, o que irritou o River Plate e até o presidente do país, Mauricio Macri.

Levar a decisão para a Europa não eliminou os problemas comuns em eventos esportivos importantes na América do Sul. Sócios do Real Madrid usam o privilégio de ter acesso aos ingressos para revendê-los no mercado paralelo. Entradas de 70 euros (cerca de R$ 300) são oferecidas por até mil euros (R$ 4,2 mil). (Folhapress)