Umuarama

Planejamento

Agronegócio é a alavanca do desenvolvimento econômico regional, aponta levantamento

02/09/2019 08H41

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O Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), liberou na primeira quinzena de agosto o levantamento do Valor Bruto da Produção Municipal (VBPM). O documento traz os valores da produção dos 24 municípios da regional de Umuarama, e ao ser estudado, fica um alerta para a necessidade de investimentos no agronegócio, visando o desenvolvimento econômico da região.

O valor bruto da produção regional da safra 2017/2018 alcançou a cifra de R$ 3.905 milhões, sendo 8% maior em relação à safra anterior que foi de R$ 3.620 milhões. Entre as principais atividades agropecuárias para a formação deste valor, encontram-se a pecuária de corte (R$ 992 milhões); soja (R$ 684 milhões); mandioca (R$ 536 milhões); frango de corte (R$ 511 milhões); leite (R$ 274 milhões) e cana-de-açúcar (R$ 368 milhões). As demais atividades (fruticultura, olericultura, piscicultura, floricultura, madeira, arroz irrigado, milho entre outras) somaram R$ 536 milhões.

Os números apresentados desta forma são animadores. Porém, quando são colocados e um comparativo da região Noroeste, são preocupantes. Dentro de uma perspectiva usando as cidades polos; Umuarama, mesmo tento maior área cultivada, perde em número de valor da produção para Cianorte e Paranavaí.

Hoje Umuarama conta com 101 mil hectares de área cultivada e o valor bruto da produção gira entre R$ 376 milhões. Já Paranavaí, com 96 mil hectares de área cultivada, fechou a safra de 2018 com R$ 456 milhões. Cianorte é a que tem mais valor agregado em sua produção, o município fechou 2018 com R$ 715 milhões de VBPM na melhor área cultivada: 73 mil hectares.

O agrônomo do Deral de Umuarama, Antonio Carlos Fávaro, faz uma leitura dos números e segundo ele, em Umuarama mais da metade da área cultivada fica para pecuária de corte/leite e a cana-de-açúcar, porém tais culturas não estão sendo eficientes. Além disso, os aviários do município precisam entregar a produção para outras cidades e a mandioca segue no mesmo rumo, pois não existe fecularia no município.

“Umuarama fica na produção primaria, a transformação é muito pequena e estamos dependendo da venda dessa matéria prima para outros municípios. Acabamos perdendo o valor adicionado, que gera mais emprego e impostos. Somos um fornecedor de matéria-prima”, explicou.

IMPORTÂNCIA DO AGRONEGÓCIO

Segundo o economista do Deral, Ático Luiz Ferreira, o VBPM é um dos critérios utilizados para se calcular o índice de participação do ICMS (Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços) que é repassado aos municípios proporcionalmente de acordo com a sua contribuição. “Desta forma, vemos a produção agropecuária de Umuarama contribuindo apenas 7% para a arrecadação do ICMS para o município. Mas essa porcentagem poderia subir para 20%, só com a produção primária”, alertou.

Na visão do economista, o investimento no agronegócio seria a forma para o desenvolvimento econômico de Umuarama, uma vez que a cidade conta com um comércio arrojado e pujante.

O agrônomo Fávaro ainda ressaltou, que além do comércio, a cidade conta com um ótimo setor de serviços, desta forma, a agricultura e a pecuária poderiam ser a mola propulsora para a economia municipal e regional. “Já temos um comércio e setor de serviços fortes, se comparado a outras cidades da região. Mas no campo, temos uma média de renda bruta de R$ 3.700 por hectare, sendo que a média da regional é de R$ 4 mil por hectare. Umuarama perde para a média regional. É necessário corrigir este setor, tanto na produção primária quanto na industrial”, alertou.

QUAL O CAMINHO?

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Dentro do cenário do agronegócio atual, Fávaro acredita que a região e Umuarama tem a “galinha dos ovos de ouro” na mão, mas não bota. “Contamos com região grande, condição climática boa – temos sol 12 messes por ano e chuvas regulares, além de localização estratégica. Porém isso não é aproveitado em sua totalidade”, noticiou.

Para o entrevistado, seria necessário investir na cultura da vocação regional em vez de buscar ideias mirabolantes. “Não é preciso inventar, a pecuária de corte e leite é conhecida pelos produtores, os quais contam com experiência. O que precisa é evoluir. Evoluir geneticamente, em alimentação, manejo, confinamento, abate e exportação. É isso que vai dar para Umuarama e a região uma condição rápida na evolução econômica e social, mas isso tá demorado”, enfatizou.

Antonio Fávaro fala da pecuária, pois o setor de corte representa 25% do VBP regional demonstrando quanto esta atividade significa para a economia e que somado com a produção leiteira (7% do VBP) totaliza o valor de 32% do valor da produção. Esta atividade está presente em praticamente todos os municípios do Núcleo Regional, e ocupa uma área de 490.000 ha de pastagens de um total de 922.000 ha agricultáveis.

EXEMPLO CERTEIRO

Os entrevistados finalizam dizendo que existem exemplos assertivos ao lado, como Cianorte que conta com o dobro do VBPM de Umuarama em um menor território. “Não é só o produtor, é preciso políticas públicas, precisa investimento do governo em pesquisa, incentivo ao crédito, com uma visão de cooperativismo. É necessário um olhar diferente, discutir isso dentro da sociedade, para o produtor ter confiança que pode investir e não deixar cada um seguindo seu caminho”, finalizou Fávaro.

O quadro abaixo demonstra o Valor Bruto da Produção de cada município e as cinco principais atividades agropecuárias:

Mapa mostra a principal atividade agropecuária por município da região

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